Cool Teacher Podcast

13 de Fevereiro de 2010 @ 11:34 por João Mattar

Cool Teacher Podcast é uma série semanal que traz dicas e insights sobre o uso de tecnologia na sala de aula.

É apresentado por Chris Haskell e Barbara Schroeder, dois professores do Department of Educational Technology da Boise State University.

As apresentações ao vivo ocorrem todas as sextas, 2 pm Mountain Time, no ustream.

Aqui você pode acessar todos os podcasts apresentados até agora.

No final do mais recente podcast, Episode #38: Shut your Shoutbox, Chris!, são apresentadas as 10 melhores conferências de tecnologia educacional. Em primeiro lugar foi indicada a Virtual Worlds Best Practices in Education, da qual sou co-chair do Program Committee e na qual teremos, como no ano passado, uma sequência especial de apresentações em língua portuguesa sobre o uso do Second Life em Educação - logo coloco informações sobre o programa aqui no blog.

No final do podcast, ao comentar os tweets enviados como resposta ao #TechTossUp, um concurso relâmpago promovido para ajudar a eleger as melhores conferência de tecnologia educacional no Twitter, Chris Haskell leu o meu tweet:

Virtual Worlds Best Practices in Education http://www.vwbpe.org/ is the best education conference #TechTossUp @edtechbsu

que gerou um comentário de Barbara Schroeder no podcast:

“Wow, that comes from a good expert!”

com a concordância em retorno de Chris.

Por acaso acessei o podcast e por acaso ouvi o comentário, pelo qual fiquei muito honrado, principalmente por vir de dois especialistas internacionais de destaque (e vanguarda) no uso de tecnologias em educação. Valeu, Chris e Barbara!

Meninos Não Choram (Boys Don’t Cry)

13 de Fevereiro de 2010 @ 11:09 por João Mattar

Assisti nesta semana em DVD Meninos Não Choram (Boys Don’t Cry).

Atenção: escrevo posts para refletir sobre filmes sem me preocupar em esconder o final. Portanto, se você não assistiu a este filme mas algum dia pretende assisti-lo, sugiro que pare de ler e só volte aqui depois, senão este post poderá acabar funcionando como um spoiler!

Atores: Hilary Swank (Brandon), Chloë Sevigny (Lana), Peter Sarsgaard (John Lotter), Brendan Sexton III (Tom Nissen), Alicia Goranson (Candace), Jeannetta Arnette (Mrs. Tisdel), Matt McGrath (Lonny), Alison Folland (Kate), Rob Campbell (Brian)
Direção: Kimberly Peirce
Roteiro: Kimberly Peirce e Andy Bienen
Ano de produção: 1999
País de produção: Estados Unidos
Duração: 118 min.
Colorido
Produção: John Hart, Eva Kolodner, Jeff Sharp, Christine Vachon
Fotografia: Jim Denault
Trilha Sonora: Nathan Larson
Edição: Tracy S. Granger, Lee Percy
Desenho de Produção: Michael Shaw
Co-produção: Morton Swinsky
Produção Associada: Bradford Simpson
Produção Executiva: Caroline Kaplan, Pamela Koffler, Jonathan Sehring, John Sloss
Figurino: Victoria Farrell
Som: Mack Melson

Um filme pesado que explora principalmente o preconceito em relação à sexualidade, baseado na história real de Teena Renae Brandon (o filme usa os nomes reais).

Teena viaja de Lincoln para Falls City (ambas em Nebraska), dizendo para todos que é Brandon, um garoto.

Em Falls City, torna-se amiga de John Lotter, Tom Nissen e Candace, e começa a namorar mulheres, apaixonando-se por Lana Tisdel, que se envolve com ela sem saber que era mulher.

Este clip mostra algumas das cenas em que Teena e Lana aparecem juntos:

Quando seu segredo é descoberto pelos amigos, após Teena ser forçada a retirar as calças, ela é estuprada e assassinada em 31 de dezembro de 1993 pelos dois amigos, quando tinha 20 anos. As cenas do estupro e do assassinato de Teena são impressionantes.

Aliás, as interpretações de todos os atores são excelentes.

Há uma música do The Cure com o mesmo nome do filme, que toca de fundo em uma passagem:

Cf. o trailer do filme:

Ainda volto a este filme, para discutir um pouco mais preconceito e sexualidade.

Virtual Worlds Best Practices in Education - Chamada para Envio de Propostas e Sessões de Cartazes

12 de Fevereiro de 2010 @ 17:18 por João Mattar

Virtual Worlds Best Practices in Education

Chamada para Envio de Propostas e Sessões de Cartazes


Tradução para o português de Portugal: Leonel Morgado (cf. texto em inglês)

A conferência Virtual Worlds Best Practices in Education (VW-BPE) é organizada comunitariamente e proporciona aos participantes, de mundos virtuais, oportunidades para partilhar as práticas actuais de ensino, aprendizagem e investigação em ambientes virtuais 3D. As comunicações da conferência centrar-se-ão em ensino/aprendizagem, trabalhos académicos, projectos, eventos, actividades e ferramentas novas e inovadoras para o ensino virtual. Os oradores da conferência centrar-se-ão na identificação das ‘boas práticas em educação’ concebidas para a tecnologia dos mundos virtuais 3D.

Todas as submissões devem ser enviadas até às 07:59 (hora de Lisboa) de terça-feira, 16 de Fevereiro de 2010

Todas as submissões serão avaliadas. As propostas enviadas após o momento acima indicado não serão consideradas.

Apelo ao envio de propostas

Formatos possíveis

A tecnologia dos mundos virtuais proporciona oportunidades únicas de participação. Eis os tipos de formatos possíveis:

* A) Apresentação de investigação formal e teórica
* B) Apresentação informal de práticas (numa área disciplinar específica)
* C) Projecto prático e apresentação de evento
* D) Exploração de mundos virtuais
* E) Exploração baseada em projectos
* F) Painel com apresentações e debate
* G) Mesa-redonda
* H) Formação/“Tutorial”
* I) Ferramentas e produtos

Os tipos de formatos são descritos nos seguintes documentos:

* Part II: Proposal Stream Descriptions PDF (inglês)
* 建议案题目组介绍 (mandarim).

Submissão de propostas

Envie uma mensagem de correio electrónico para proposals@vwbpe.org com uma sinopse da proposta.

Certifique-se de incluir na sinopse os seguintes aspectos:

* Indicar claramente o tipo de formato em que deseja efectuar a sua apresentação.
* Indicar em que medida é que o seu trabalho exemplifica uma ‘boa prática’.
* Indicar os resultados expectáveis para os participantes da sua sessão.
* Descrever as estratégia que irá utilizar para envolver os participantes no debate, análise, síntese e/ou aplicação das informações que partilhar.
* Descrever como é possível aplicar o trabalho a um ou vários sectores do ensino, por ex., básico, secundário, universidades, politécnicos, ensino de adultos, formação em Second Life, etc.
* Incluir ligações a sítios Web relevantes ou a cópias dos elementos que irá partilhar (é possível indicar que serão partilhadas posteriormente cópias digitais dos elementos).

Notificação

Ser-lhe-á enviada uma mensagem acusando a recepção da proposta, após a submeter.

Aceitação

Ser-lhe-á enviado um aviso com o estado de avaliação da proposta, até segunda-feira, 1 de Março de 2010. Caso o aviso confirme a aceitação da proposta, conterá a hora, data e local onde será efectuada a apresentação.

Submissão de artigos para publicação

Se, em paralelo com a proposta virtual, desejar efectuar a submissão de um artigo para avaliação pelo Journal of Virtual Studies para publicação, faça constar tal intenção na submissão.

Os artigos finais para publicação, em formato de artigo longo ou curto, têm de ser recebidos integralmente no endereço papers@vwbpe.org até às 07:59 (hora de Lisboa) de quarta-feira, 11 de Março de 2010.

Os resumos finais dos debates e das mesas-redondas têm de ser recepcionados na íntegra em papers@vwbpe.org até às 07:59 (hora de Lisboa) de domingo, 11 de Abril de 2010.

As submissões de artigos só para publicação, não apresentados durante a conferência, não serão aceites. É possível obter mais informações acerca dos artigos longos e resumos em:

* Part II: Proposal Stream Descriptions PDF (inglês)
* 建议案题目组介绍 (mandarim)

Apelo a propostas de sessões de cartazes

Convidamo-lo a enviar uma proposta de participação nas sessões de cartazes da conferência Virtual Worlds Best Practices in Education ’10 (VWBPE ‘10). Serão apresentados exemplos de programas de ensino em mundos virtuais, incluindo o Second Life, durante este evento internacional de 48 horas. A edição anterior, VWBPE’09, foi visitada por mais de 5.000 pessoas de todo o mundo, havendo para o presente ano expectativas de participação semelhante.

As sessões de cartazes proporcionarão aos educadores, investigadores e produtores/programadores um fórum onde poderão apresentar e debater os seus trabalhos, e estabelecer contactos com outras pessoas activas em projectos semelhantes.

Será reservado espaço para os expositores virtuais apresentarem os serviços ou projectos mais importantes. O espço de cada expositor está limitado a 256m2 e 100 prims. Há meios audiovisuais, mas solicita-se contenção na utilização de som.

A data-limite para submissão de um cartaz ou proposta de expositor é 15 de Fevereiro de 2010. O horário das sessões será indicado em data mais próxima do evento, recomendando-se que os expositores tenham pessoas presentes a essas horas.

Datas importantes

* Limite para envio de propostas – 15 de Fevereiro de 2010
* Notificação de aceitação – 22 de Fevereiro de 2010
* Sim aberto para montagem – 5 de Março de 2010
* Conferência – 12 e 13 de Março de 2010

Para enviar a sua candidatura, copie e cole os seguintes itens numa mensagem de correio electrónico e envie-a para posters@vwbpe.org

* Nome da vida real
* Organização da vida real
* Endereço de correio electrónico
* Nome do avatar
* Instituição educativa, organização ou biblioteca no SL
* SLURL do edifício no SL
* Descrição do conteúdo do stand de expositor (1 a 3 frases)

Bibliografia Filosofia Medieval

11 de Fevereiro de 2010 @ 12:14 por João Mattar

Despretensiosa e incompleta bibliografia sobre Filosofia Medieval que andei consultando nestes dias, incluindo alguns clássicos, alguns textos que espero um dia ler e algumas coisas que tenho (*):

A SIEPM - International Society for the Study of Medieval Philosophy, a principal sociedade internacional de filosofia medieval, foi fundada em 1958 e possui hoje ao redor de 700 membros em 45 países diferentes. Ela organiza congressos internacionais e oferece o Bulletin de Philosophie Médiévale and e a série Rencontres de Philosophie Médiévale.

ARMSTRONG, A. H. (Org.). The Cambridge History of Later Greek and Early Medieval Philosophy. Cambridge: Cambridge University Press.

BOEHNER, Ph; GILSON, E. História da filosofia cristã: das origens a Nicolau de Cusa. Petrópolis: Vozes, 1970. (edição alemã 1952).

BOSLEY, Richard N.; TWEEDALE, Martin M. (Org.). Basic Issues in Medieval Philosophy: Selected Readings Presenting Interactive Discourse Among the Major Figures. 2nd edition. Peterborough: Broadview Press, 2006. (textos organizados por temas)

DE BONI, Luis Alberto. Filosofia medieval: textos. Porto Alegre: EDIPURS, 2000. (Coleção Filosofia, n. 110).* Além de uma introdução, apresenta uma rápida bibliografia de diversos autores, seguida de passagens de seus textos traduzidas.

GARDEIL, H. D. Iniciação à filosofia de S. Tomás de Aquino. São Paulo: Duas Cidades, 1967. 4 v.

GILSON, Étienne. La philosophie au Moyen Age: des origines patrietiques a la fin du XIVe siecle. 2e éd. rev. et augm. Paris: Payot, 1947. (a tradução brasileira não manteve as importantíssimas notas ao texto)

INÁCIO, I. C.; DE LUCA, T. R. O pensamento medieval. São Paulo: Ática, 1988. (Princípios, 150).

JAEGER, Werner. Early Christianity and Greek Paideia. Cambridge, MA: Belknap Press of Harvard University Press, 1961.* Análise detalhada do encontro do cristianismo com a cultura grega.

JAEGER, Werner. Humanism and theology. The Aquinas Lecture-7. Milwaukee: Marquette University Press, 1943 (third printing 1980).*

JEAUNEAU, E. A filosofia medieval. Lisboa: Edições 70, 1980. (edição francesa de 1963)

KRETZMAN, N.; KENNY, A.; PINBORG, J. (Org.). The Cambridge History of Later Medieval Philosophy: From the Rediscovery of Aristotle to the Disintegration of Scholasticism. Cambridge: Cambridge University Press.

LIBERA, A. de. A filosofia medieval. Trad. D. D. Machado e N. Campanário. São Paulo: Loyola, 1998. (organizado por temas, edição francesa de 1993 – há outra obra com o mesmo título em português, do mesmo autor)

NASCIMENTO, Carlos Arthur Ribeiro do. O que é filosofia medieval. São Paulo: Brasiliense, 1992. (Primeiros Passos, 261) *

NASCIMENTO, Carlos Arthur Ribeiro do. São Tomás de Aquino: o Boi Mudo da Sicília. São Paulo: Educ, 1992. (Coleção Contraponto).*

VIGNAUX, Paul. A filosofia na Idade Média. Trad. Maria Jorge Vilar de Figueiredo. Lisboa: Presença, 1993.* (edição francesa 1938 e 1958)

WEISHEIPL, James A. Friar Thomas d’Aquino: his life, thought, and works. Oxford: Basil Blackwell.

Há várias obras de e sobre Santo Agostinho e São Tomás de Aquino traduzidas para o português, em alguns casos apenas com extratos.

Cf. Santo Agostinho (Agostino d’Ippona) - Roberto Rossellini.

O filme O Destino (Al Massir), dirigido por Youssef Chahine e lançado em 1997, está ambientado na cidade de Córdoba no século XII e conta parte da vida de Averróis.

Qualquer sugestão para ampliação é bem-vinda!

Gestão de Pessoas no Ensino Superior

10 de Fevereiro de 2010 @ 10:27 por João Mattar

Uma universidade reserva no horário do professor, no mês de dezembro, uma disciplina para o semestre seguinte.

Em fevereiro, a instituição decide adiar o início dessa disciplina para o mês de março, para ver se consegue começar com mais alunos.

Então, já com o mês de fevereiro em andamento, decide que não vai pagar o mês de fevereiro para o professor, que está obviamente à disposição da instituição desde o final do ano anterior, e não pôde, é claro, assumir qualquer compromisso nesse horário, nem assumir outras disciplinas em outras instituições, nem em outros campi da própria instituição.

Ou seja, o professor vai ficar 1 mês sem receber (mas só fica sabendo disso depois que o mês já começou), afinal, ele não tem contas para pagar, e pode também facilmente suspender seus pagamentos em fevereiro.

Isso está correto, do ponto de vista legal?

Mas e do ponto de vista de consideração com o profissional, da ética e da moral, da administração de pessoal, de gerar vinculação do profissional com a instituição?

Quero muito saber a sua opinião.

Modelos e Teorias de Design Instrucional

9 de Fevereiro de 2010 @ 18:27 por João Mattar

Em In Search of the Elusive ADDIE Model, Michael Molenda procura mostrar como o ADDIE não tem origem definida e funciona mais como um rótulo para as etapas principais do ISD - Instructional Systems Development.

Resenhei em um post separado 2 artigos que fazem críticas pesadas ao design instrucional: The Attack on ISD & A Hard Look at ISD.

Ampliei a resenha de Survey of instructional design models com os cap. 2 e 3.

Ampliei também a resenha de Instructional Design com o cap. 2 (esta leitura está gerando bastante assunto para discussão).

The Attack on ISD & A Hard Look at ISD

9 de Fevereiro de 2010 @ 11:52 por João Mattar

GORDON, Jack; ZEMKE, Ron. The attack on ISD. Training Magazine, 37(4), April 2000, p. 42-53, faz críticas bastante pesadas ao ISD - Instructional Systems Design.

O ISD é lento, sem graça e orientado a processos, mais do que a pessoas ou a aprendizado. Encoraja uma preocupação cega com os meios em detrimento dos fins, e sua ambição por um programa perfeito de instrução pode levar à perda de foco no problema real e no resultado. É um sistema de administração de projeto ultra-cuidadoso e burocrático, excessivamente preocupado em obedecer às regras e que precisa ser superado. Em vez de aulas rigorosamente estruturadas e instrução pré-programada, precisamos de aulas e fóruns mais abertos, em que você comece com alguma informação e então convide os próprios aprendizes a contribuírem com suas ideias. O ISD ignora a habilidade e motivação dos aprendizes adultos para administrar seu próprio aprendizado. O que acontece se você não segue as prescrições do ISD para produzir aprendizado? As pessoas aprendem da mesma maneira! Grandes programas de treinamento não são, em geral, criados por alguém que tenha seguido o ISD. O processo tende a criar programas enfadonhos e cookie-cutter (sem originalidade, uma referência à uniformidade que resulta da utilização de ferramentas para cortar massas de biscoito em um formato específico):

Esse excesso de rigidez impede que você seja criativo. Podemos estar criando aprendizes incapazes quando oferecemos a eles instrução mastigada, num esforço para atingir resultados homogêneos. Se há uma frase que não descreve o estilo-ISD de programas de treinamento, é ‘flexível e fácil de modificar’.

Uma sequência desse artigo é:

ZEMKE, Ron; ALLISON, Rossett. A hard look at ISD. Training Magazine, 39(2), February 2002, p. 27-33.

Os autores defendem que o processo de ISD é caro e exige muito tempo, e os recursos financeiros e tempo despendidos geralmente não produzem os resultados desejados. O modelo pode fazer sentido no papel, mas na prática é um processo pesado e lento que pode levar à ‘paralisia da análise’. Em vez de uma abordagem flexível de design instrucional para suportar resultados de aprendizagem desejados, o ISD sistemático tornou-se simplesmente um checklist para administração de projetos.

Em ISD at Warp Speed - 2002, Donald Clark discute brevemente os 2 artigos (já apresentados em The Attack on ISD - 2000 e A Hard Look at ISD - 2002) e apresenta pontos negativos e positivos do modelo ADDIE.

Design Instrucional & Tecnologia Educacional

8 de Fevereiro de 2010 @ 22:58 por João Mattar

Qual é a ligação entre design instrucional e tecnologia educacional?

Para começar, cabe lembrar que o ADDIE (Analysis, Design, Development, Implementation, & Evaluation) não é muito específico e fornece apenas uma descrição geral do processo encontrado em muitos modelos de design instrucional.

Cf. o artigo A History of Instructional Design and Technology: Part II: A History of Instructional Design, de Robert A. Reiser, ETR&D, Vol. 49, No. 2, 2001, pp. 57–67, que resenhei aqui.

Cf. também o Forward, Preface & Chapter 1 do livro: Gustafson, K.L., & Branch, R.M. (1997). Survey of instructional design models. (4th ed.) Syracuse, NY: ERIC Clearinghouse on Information & Technology, 2002, que estou resenhando em um post separado.

Cf. ainda o Chapter 1 do livro: SMITH, Patrici. L.; RAGAN, Tilman J. Instructional design. 3rd ed. Hiboken, NJ: John Wiley & Sons, 2005, que também estou resenhando em um post separado.

Algumas sugestões para consulta:

Instructional Design Models, longa lista de diferentes modelos de DI mantida por Martin Ryder (University of Colorado, Denver)

Merrill on Instructional Design, vídeo de David Merrill, figura respeitada na pesquisa em DI:

Instructional Design Models, uma rápida introdução de Kyle Morgan ao DI:

Instructional Design

8 de Fevereiro de 2010 @ 22:52 por João Mattar

SMITH, Patricia L.; RAGAN, Tilman J. Instructional design. 3rd ed. Hiboken, NJ: John Wiley & Sons, 2005. Resenha de João Mattar.

Esta resenha está em construção e esta frase sumirá daqui quando terminar.

Este é o livro base para a disciplina Instructional Design, que estou cursando neste semestre na Boise.

Preface apresenta a estrutura do livro e as novidades da terceira edição. Há também a indicação do site de apoio, como muito material, tanto para o professor quanto para o aluno.

Chapter 1. Introduction to Instructional Design explora o conceito de design instrucional e as principais atividades dos designers instrucionais.

A diferenciação que os autores fazem entre 4 conceitos pode nos servir para muita coisa. Eles definem instrução como um tipo de educação, e treinamento, por sua vez, como um tipo de instrução. Todas as experiências que envolvem algum tipo de aprendizagem são educação, inclusive o aprendizado não planejado, casual e informal, enquanto a instrução envolveria intenção na produção do aprendizado. O treinamento, por sua vez, estaria ligado a habilidades muito específicas que precisassem ser aplicadas de imediato (p.ex. nos ambientes corporativo, militar e governamental). Enfim, cada um dos 3 conceitos poderia ser representado por um grupo dentro do outro.

Isso já daria uma boa discussão, mas mais interessante ainda é como os autores classificam o ensino (teaching): experiências que são facilitadas por um ser humano - não um DVD, um livro ou um site, mas um professor vivo. Isso poderia ser então um novo grupo, dentro de instrução, pois nem toda a instrução pressupõe o professor. Mas é possível ocorrer aprendizado com o professor e sem instrução, então o gráfico que eles apresentam no livro fica assim (refeito por mim):

Relationships Among Terms Associated with Instruction - Relationships Among Terms Associated with Instruction

A intersecção que me interessa mais é justamente essa entre o ensino e a educação, mas fora do âmbito do design instrucional. O que ela representa? Dizem os autores:

“Há ocasiões em um ambiente educacional em que um professor não foca experiências de aprendizagem em direção a nenhum objetivo de aprendizagem particular. Nessas ocasiões, professores podem oferecer muitas atividades de aprendizagem, e objetivos de aprendizagem podem emergir durante essas atividades, em geral dos próprios aprendizes quando eles se defrontam com essas atividades. Por exemplo, parte da educação infantil se encontra nessa categoria, como as ocasiões em que se fornece aos aprendizes uma variedade de materiais manipulativos que eles podem utilizar para buscar diferentes problemas. Essas buscas podem levar a diferentes resultados de aprendizagem, muitos dos quais não foram especificamente antecipados pelo professor. ” (p. 6)

Interessante que esta é uma rápida passagem do texto, que a área de intersecção que estamos explorando é a menor do gráfico, e principalmente que ela está fora da instrução, e por consequência fora do campo do design instrucional. Mas talvez esteja aqui o espaço mais interessante para explorar, usando princípios do design instrucional.

Antes de tentar refazer o gráfico, procurei para ver se o encontrava na Internet e acabei achando uma pérola num post de 2005 de Michael Lindeman, diretor do Illinois Online Network: Concept Maps, Instructional Design, and Constructivism. Lindeman inicialmente reproduz a figura do livro, mas sua reprodução não está muito boa, em primeiro lugar porque o espaço de intersecção entre teaching e education está muito pequeno, menor do que no livro, além de que há mais espaço entre os limites do conjunto training e instruction do que há no livro. Mas o que interessa é a continuação do post.

Em primeiro lugar, Lindeman cita exatamente a passagem do texto que me chamou a atenção. Em seguida, afirma que sempre teve dificuldade em compreender como era possível compatibilizar construtivismo e DI. Se cada indivíduo é responsável pela construção do conhecimento, como podemos, como designers, determinar e garantir um conjunto de resultados de aprendizagem comuns, como fomos ensinados? [para formular a pergunta na verdade ele cita: Jonassen, D.H. (1994). Thinking technology: Toward a constructivist design model. Educational Technology, 34(4), 34-37.]

Então brilha a pérola: a minha interpretação do diagrama é que o aprendizado construtivista ocorre na porção do círculo de ensino que está fora da instrução. Isso é o que ele diz, no post que achei hoje, e é exatamente o que eu pensei, quando li o texto ontem e olhei para o diagrama. Meu olho se fixou exatamente nessa área de intersecção, que agora destaco:

Relationships Among Terms Associated with Instruction C - Relationships Among Terms Associated with Instruction Constructivism

Lindeman produz um gráfico semelhante, acrescentando a possibilidade do treinamento construtivista. E diz: “o design instrucional, pelo menos o DI tradicional, lida com o ensino e o treinamento que ocorrem dentro do círculo da instrução.” E conclui: “Talvez precisemos desenvolver um ‘Teoria do Design do Ensino’ que inclua tanto a teoria de aprendizagem objetivista do DI quanto os dogmas do construtivismo.”

É uma benção quando encontramos uma alma assim tâo gêmea, mas eu gostaria de ampliar ainda mais a discussão. As situações que os autores descrevem no livro, mais livres de objetivos de aprendizagem, com atividades menos rígidas, materiais manipulativos e resultados de aprendizagem não antecipados, não se limitam à educação infantil, que é utilizada como exemplo. São na verdade as experiências de aprendizagem mais próximas da geração dos nativos digitais. Sobre elas, trata por exemplo a teoria do aprendizado baseado em games. É nessa área verde que podemos enxergar a figura do professor atuando como um guia e um facilitador, de que tanto fala a literatura. É nessa área verde que conseguimos imaginar o respeito aos diferentes estilos de aprendizagem dos alunos. É essa área que reconhece que os alunos, que hoje têm acesso à Internet, chegam até nós, professores, com níveis de conhecimento sobre os assuntos e interesses muito desnivelados, e então objetivos de aprendizagem fixos podem não fazer sentido para eles. É essa área que está distante tanto do treinamento militar quanto da instrução sem professor, mas que também se diferencia da instrução planejada pelo conteudista e designer instrucional, com objetivos de aprendizagem pontuais e atividades prontas, que, muitas vezes, acaba alimentando o modelo do impostutor.

Por que, então, o design instrucional não pode explorar essa área? Por que não desenvolver modelos ou princípios para orientar o professor a trabalhar mais livremente com seus alunos, construindo conhecimentos sem que o objetivo final esteja totalmente pré-determinado? É esse design instrucional que me interessa muito.

Um pouco mais à frente, os autores apontam os limites do design instrucional: experiências em que objetivos de aprendizagem não podem ser identificados com antecedência ou em que objetivos particulares não são jamais identificados (educação não instrucional). Como a reflexão e o planejamento são centrais ao DI, nessas situações haveria oportunidades limitadas para aplicar muitos dos seus princípios e procedimentos. É muito interessante que o exemplo do livro agora não seja da educação infantil, mas de uma disciplina de pós-graduação avançada, ou outros ambientes educacionais em que os aprendizes possuem conhecimento anterior excepcional sobre o conteúdo. Nesses casos, os próprios alunos seriam capazes de identificar objetivos, conceber estratégias educacionais e avaliar seu aprendizado. Os autores continuam: “Se um professor está disponível nessa situação, um instrutor habilidoso pode ser capaz de processar a informações rapidamente o suficiente para que os aprendizes possam identificar objetivos e conceber estratégias, pode fornecer sugestões para estratégias melhores ou alternativas. Nesse caso, o conhecimento do professor sobre design instrucional pode ser muito útil em seu papel de consultor.” (p. 12).

Entre os limites extremos da educação infantil e das disciplinas avançadas de pós-graduação, há um espaço imenso com o qual o design instrucional pode contribuir, espaços mais livres de objetivos de aprendizagem que engessam o processo, desrepeitam o conhecimento prévio dos alunos e seus diferentes estilos de aprendizagem, e continuam a repetir a herança dos treinamentos para a guerra e para animais. Inclusive e principalmente em EaD, para que o design instrucional possa energizar os aututores, e não amordaçar os impostutores. Ainda no mesmo capítulo, os autores falam rapidamente sobre os professores como designers, apesar de voltarem a insistir nos modelos tradicionais de DI.

Se defendemos a reforma do sistema educacional, me parece contraditório defendermos também modelos de DI que surgiram para treinar militares para a Segunda Guerra Mundial, centrados na instrução e que ignoram tudo o que aconteceu nos últimos anos.

O primeiro capítulo ainda fala, dentre várias outras coisas, de modelos não-sequenciais e entrelaçados de DI, em que a análise, o desenvolvimento e a avaliação das atividades ocorre simultaneamente. Durante o desenvolvimento, podem surgir novas questões que direcionem o designer de volta para mais análise dos aprendizes, atividades ou contexto. Parece-me que não há outra maneira de lidar com os alunos e o cenário de hoje, a não ser abraçando esses modelos mais flexíveis.

Para terminar, o capítulo indica algumas competências exigidas dos designers instrucionais, como: IBSTPI - International Board of Standards for Training, Performance and Instruction, ASTD - American Society for Training & Development e da Analysis & Technology Inc. (o link está quebrado). Além disso, destaca também os standards tanto da IBSTPI quanto da AECT - Association for Educational Communications and Technology, utilizados pelo NCATE - National Council for Accreditation of Teacher Education.

Chapter 2. Foundations of Instructional Design faz uma revisão dos fundamentos filosóficos (construtivismo, empirismo e pragmatismo) e teóricos (teorias de aprendizagem do behaviorismo, cognitivas e desenvolvimentistas) do design instrucional.

Os autores afirmam que o construtivismo radical considera inadequado propor objetivos de aprendizagem. Segundo os autores, essa posição jogaria toda a responsabilidade do aprendizado para o aluno, mas é possível enxergar as coisas de outra maneira. O professor pode atuar como orientador, motivador, organizador da interação etc., pode detectar os interesses dos alunos e acompanhá-los num processo de construção de conhecimento, e assim por diante. Isso tudo, sem a necessidade de objetivos de aprendizagem rigidamente pré-fixados e sem jogar toda a responsabilidade do aprendizado para cima do aluno.

Quando falam do contextualismo (característica do construtivismo), os autores abordam rapidamente os interessantes conceitos de aprendizagem situada (na realidade) e autêntica, instrução ancorada e avaliação autêntica.

Há uma anedota no texto que eu gostaria de explorar, cujo objetivo é criticar a ideia de que o envolvimento é suficiente para o aprendizado. Numa disciplina de latim no ensino médio, os alunos se envolveram entusiasticamente durante 2 semanas na construção de uma escultura de sal de Pompeia. Supostamente, o professor esperaria que os alunos aprendessem alguma coisa sobre a cultura de Pompeia. Quando um dos alunos foi questionado sobre o que aprendeu, ele disse que aprendeu que o sal vai rachar se você não acrescentar água suficiente. Ora, mas afinal o que é que esperamos que nossos alunos “aprendam” no ensino médio? Fiz uma brincadeira bastante incompleta sobre o que procuramos “ensinar” para um aluno de 11 anos na quinta série, e é um absurdo imaginarmos que alguém, mesmo um adulto, conseguirá guardar muita coisa de tudo aquilo. É um amontoado de conteúdos (suportados talvez por objetivos de aprendizagem) que não fazem sentido, que não estão contextualizados, sobre o que o aluno não consegue traçar relações com o mundo. Ele decora, é claro, ao menos parte daquilo tudo, para fazer prova e passar, mas a maioria das coisas ele esquece assim que permitirem. Por que fazemos isso? No que exatamente acreditamos? Se no final da brincadeira o aluno aprendeu, depois de envolvimento e entusiasmo intenso, alguma coisa sobre o sal e não sobre a cultura de Pompeia, qual é o problema? Ele não está em vantagem em relação a um aluno que não aprendeu nada sobre o sal, que não se envolveu nem se entusiasmou, e que, assim que passar as provas, também não saberá mais nada sobre a cultura de Pompeia? A única diferença é que, no caso deste aluno, tivemos objetivos de aprendizagem - ou seja, a diferença está no
design da instrução, não no aprendizado. Ainda neste capítulo voltaremos a questionar o que significa aprendizagem.

Há menção ao livro Science and Sanity: An Introduction to Non-Aristotelian Systems and General Semantics, de Alfred Korzybski (1933), que seria uma referência nos estudos de semântica.

Há também uma tentativa de defesa da acusação de que a prática do design instrucional de formular objetivos de aprendizagem explícitos teria como fonte o behaviorismo, o que estaria registrado na expressão “objetivos comportamentais” (behavioral objectives).

As teorias de aprendizagem cognitivas teriam contribuído para o design instrucional considerar o aprendiz com um papel mais ativo. O texto apresenta também um resumo bastante interessante das teorias de processamento de informação e comenta como a psicologia cognitiva estaria provocando mudanças no DI.

No resumo das teorias de processamento de informação, há um ponto que gostaria de ressaltar. A transferência da informação para a memória de longo prazo seria o processo mais crítico de todo o processamento de informação para aqueles interessados em aprendizagem. O aprendizado é identificado com o depósito de informação na memória de longo prazo, o que podemos questionar hoje, nos tempos de Internet, conteúdos abertos etc. Memorizar e decorar não parecem mais ser habilidades essenciais para o profissional do século XXI. Portanto, um design instrucional todo moldado por esse conceito de aprendizagem estaria equivocado - produziria objetivos de aprendizagem que não têm mais valor para os alunos.

O texto passa muito rapidamente pelas descrições de Piaget para as mudanças de um estado cognitivo para outro (assimilação, acomodação, desequilíbrio e equilíbrio) e pelas ideias de Vygostky, explorando ainda as contribuições as teorias desenvolvimentistas de processamento de informação para o design instrucional.

O cap. menciona ainda várias teorias instrucionais, que serão estudadas com mais atenção nos outros capítulos, analisando as ideias de curva normal e nível de maestria em B. S. Bloom.

O capítulo, assim como o anterior, termina com uma enorme bibliografia.

Chapter 3. Instructional Analysis: Analyzing the Learning Context apresenta métodos para a análise do contexto da aprendizagem, que não deve ser entendido somente como físico, mas inclui também o ambiente temporal e social que faz parte do processo de aprendizagem.

A análise do contexto de aprendizagem envolve dois componentes principais: necessidades de instrução e descrição do ambiente de aprendizagem em que a instrução será utilizada.

Quando a aprendizagem visada já ocorre de alguma maneira ou não há necessidade de aprender determinadas habilidades e informações, não faz sentido produzir materiais instrucionais.

A avaliação de necessidades deve ser realizada quando: há um problema, há algo novo que precisa ser aprendido ou é necessário avaliar o processo (p.ex. no caso de uma auditoria externa). O texto propõe então perguntas e modelos para lidar com cada uma dessas situações.

Há uma reflexão interessante de que alguns problemas de desempenho podem ser melhor resolvidos pela oferta de suporte em lugar de treinamento. Sistemas de suporte ao desempenho, especialmente EPSSs - Electronic Performance Support Systems, podem oferecer informações, orientação e ferramentas para guiar uma pessoa em uma atividade no próprio trabalho, em vez de ensinar à pessoa novas habilidades. Em geral, EPSSs são mais baratos do que treinamento, e se um EPSS pode resolver o problema, será em geral uma escolha melhor do que instrução. Algumas dessas soluções outras-que-instrução podem ser utilizadas também em ambientes educacionais.

O ambiente de aprendizagem é composto por vários fatores: aprendizes, materiais instrucionais, professor/treinador, equipamentos instrucionais (como computadores, projetores, vídeos etc.), as instalações instrucionais e a comunidade ou organização. Um designer deve também considerar o sistema de aprendizage mais amplo, como o sistema educacional ou a empresa em que a instrução ocorrerá.

Diversas questões são então propostas para orientar a análise do ambiente de aprendizagem, como p.ex.: se já há um currículo no qual a instrução deve encaixar, qual é a filosofia, estratégia ou teoria utilizada nesses materiais? Quais são as características do sistema educacional ou da organização em que a nova instrução ocorrerá, como crenças, missão e tomadores de decisão? Qual é a filosofia e os tabus da comunidade mais ampla em que a organização ou o sistema educacional estão inseridos?

O capítulo começa com um exemplo fictício de uma empresa que não conseguiu comercializar satisfatoriamente seu produto porque não realizou uma análise adequada do ambiente de aprendizagem do seu público-alvo, e termina com outro exemplo fictício da aplicação da análise das necessidades e do ambiente de aprendizagem, além de orientações para como obter algumas das informações necessárias de um especialista. Em alguns momentos o capítulo parece muito óbvio nas orientações e excessivamente minucioso na descrição passo-a-passo do que deve ser feito.

Chapter 4. Instructional Analysis: Analyzing the Learners aborda por vários ângulos um tema muito importante: a análise dos aprendizes, nossa audiência-alvo. Afinal, se vivemos repetindo que a educação tem que ser centrada no aluno, temos no mínimo que conhecê-lo bem. Os aprendizes não são iguais, nem iguais aos designers. Se não começarmos do nosso público-alvo, corremos o risco de criar instrução que não é apropriada para ninguém. Se começamos por como imaginamos que os aprendizes são, corremos o risco de desenvolver instrução para uma audiência que não existe. Devemos levar em consideração o que os aprendizes efetivamente são e o que sabem. É possível inclusive desenvolver instrução levando em consideração uma audiência primária e secundária, focando na primeira no final do processo. Há uma referência ao artigo BRUNER, J. (1985) Models of the learner. Educational Researcher, Vol. 14, No. 6 (Jun. - Jul., 1985), pp. 5-8, que discute diversos modelos do aprendiz que podem ser utilizados por educadores.

Os autores propõem então 4 categorias para organizar as características dos aprendizes:

a) similaridades estáveis: capacidades sensórias e perceptivas; processamento de informações; tipos e condições de aprendizagem.

b) diferenças estáveis:
b1) aptidões (inteligência - testes de Q.I., vocação - Armed Services Vocational Aptitude Battery (ASVAB), aptidões acadêmicas particulares - SAT, GRE ou MAT, múltiplas inteligências - Gardner, estudos da relação entre aptidões em interação, combinando diferentes métodos de instrução para diferentes grupos - cf. SHUTE, Valeria; TOWLE, Brendon. Adaptive e-learning. Educational Psychologist, 38(2), 105–114, 2003;
b2) estilos cognitivos (cf. RAGAN, T. J. et al. (1979). Cognitive Styles: A Review of the Literature. AFHRL-TR-78-90-I. Brooks AFB, Texas: Air Force Human Resources Laboratory), estilos de aprendizagem, locus de controle;
b3) traços psicossociais: de ansiedade, de locus de controle e conceito-próprio acadêmico;
b4) gênero, etnia e grupo racial.

É possível acomodar diferenças estáveis de duas maneiras: um tratamento único da instrução que acomoda os aprendizes nos níveis de diferença ou criar vários tratamentos que se ajustam a características específicas.

c) similaridades mutáveis ou processos de desenvolvimento: intelectual - Piaget, Vygotsky; linguagem - Chomsky; psicossocial - Freud, Maslow, Erikson etc.; moral e outros.

Deve-se considerar que a instrução pode influir nos estágios de desenvolvimento indicados.

d) diferenças mutáveis: valores, crenças, motivações e interesses; estágios de desenvolvimento (intelectual, psicossocial, moral e outros) e aprendizado anterior (geral e específico, conhecimento geral do mundo, alfabetização visual).

O texto apresenta então uma lista extensa de características que devem ser consideradas para descrever uma audiência: cognitivas, fisiológicas, afetivas e sociais, e as diferentes maneiras para obter essas informações. Outra lista é apresentada com informações e técnicas instrucionais que podem variar de acordo com as características da audiência: rapidez da apresentação, número de experiências de sucesso que o aprendiz deve ter na prática, tipos de afirmações para convencer os alunos da relevância da instrução, técnicas para obter e focar a atenção e a frequência do uso dessas técnicas, contexto de exemplos e itens de prática, quantidade de estrutura e organização, meio/mídia da instrução, nível de concretude/abstração, agrupamento de alunos, tamanho dos pedaços de instrução, modo de resposta (escrito, oral etc.), número e dificuldade de exemplos e prática, tipo de retorno dado depois de itens de prática, nível de controle do aprendiz, nível de leitura, vocabulário e terminologia usada, quantidade e tipos de reforços, duração permitida para a instrução, quantidade e tipo de guia, dicas e incentivos oferecidos para o aprendizado.

O capítulo termina com um exemplo de análise do aprendiz, um breve resumo e, como sempre, uma longa bibliografia, apesar de que sempre fico desconfiado pois muitos textos são bastantes antigos. Espero ainda poder voltar aqui tanto para explodir alguns dos conceitos apresentados quanto para explorar alguns dos textos indicados.

Chapter 5. Instructional Analysis: Analyzing the Learning Task é um longo capítulo que explora a transformação de objetivos genéricos de aprendizagem (learning goals) em objetivos mais específicos, através da análise de tarefas. Os passos propostos são: (1) redigir o objetivo geral de aprendizagem (learning goal); (2) determinar os tipos de aprendizagem do objetivo; (3) promover uma análise de processamento de informação do objetivo; (4) redigir objetivos específicos de aprendizagem (learning objectives) e cada um dos pré-requisitos; (5) redigir especificações para teste (tratado no próximo capítulo). A análise de tarefas procura evitar problemas como: deadwood (informações não essenciais para alcançar um objetivo de aprendizagem) e falha na identificação de informações e habilidades que funcionam como pré-requisito no aprendizado.

Learning goals são declarações de propósito ou intenção, o que os aprendizes devem ser saber ou ser capazes de fazer no final da instrução, que podem ocorrer em lições, unidades ou em cursos. Devem-se evitar ambiguidades na sua formulação. O texto faz um comentário sobre a resistência de muitos educadores, especialmente dos construtivistas radicais, em utilizar objetivos de aprendizagem, que levaria a níveis baixos de aprendizagem. Para os autores, mesmo que inconscientemente, sempre utilizamos objetivos de aprendizagem como guia da instrução.

Para identificar os tipos de aprendizagem envolvidos no objetivo, podem ser utilizados a Taxonomia de Bloom, a Component Display Theory (CDT) de M. David Merrill e a tipologia de resultados de aprendizagem de Robert Gagnè, adotada no livro. A tipologia de Gagnè divide os resultados de aprendizagem em: conhecimento declarativo, habilidades intelectuais, estratégias cognitivas, atitudes e habilidades psicomotoras.

A análise do objetivo (ainda não terminou!) envolve mais dois estágios: análise do processamento de informação do objetivo e análise dos pré-requisitos dos passos identificados na análise do processamento de informação. A análise do processamento de informação decompõe o objetivo em partes, identificando os passos físicos ou mentais necessários para completar uma tarefa de aprendizagem, e o texto apresenta uma série de sugestões e exemplos. Não se trata, ainda, de como vamos ensinar. A análise dos pré-requisitos continua a decomposição, convertendo o objetivo e as tarefas em uma hierarquia, e o texto novamente apresenta exemplos.

Só agora podemos (finalmente!) redigir os learning objectives, mais específicos que os learning goals. Não se trata mais de tarefas ou atividades, mas do que o aprendiz é capaz de fazer quando terminar as atividades, aprendizado que ele possa demonstrar e que possa ser medido. O livro traz então orientações sobre como redigir learning objectives utilizando 3 componentes: uma descrição do comportamento ou das ações terminais que demonstrarão o aprendizado; uma descrição das condições de demonstração dessa ação; e uma descrição do padrão ou critério. Vários exemplos são fornecidos, sem incluir o critério (tema do próximo capítulo):

“Os aprendizes são capazes relacionar símbolos de elementos químicos aos seus nomes.”

“Os aprendizes são capazes de resolver esses tipos de problemas: 123x16, 140x257, 367x6.”

“Os aprendizes são capazes de utilizar um processador de texto para escrever um trabalho.”

“Os aprendizes são capazes de digitar 40 palavras por minuto.”

O capítulo termina com mais alguns exercícios, um sumário, uma dica para consulta do site para um exemplo ampliado e uma lista bibliográfica.

O capítulo é sem dúvida interessante e útil não apenas para designers instrucionais, mas representa também o movimento de burocratização da educação levado ao seu limite. A instrução é tratada aqui como um processo administrativo no estilo Taylor/Fayol.

O engenheiro norte-americano Frederick Winslow Taylor (1856-1915) propõe a administração científica, defendendo o estudo da administração como ciência, a organização racional do trabalho do operário para aumentar a eficiência da indústria através do estudo dos tempos e movimentos, da fragmentação das tarefas e da especialização do trabalhador, inclusive com a divisão do trabalho entre gerência e execução. A administração científica era uma teoria de engenheiros voltada para a engenharia industrial, buscando a padronização e a eficiência das operações. O aspecto que mais interessa aos primeiros engenheiros da administração é a produção. Começam a ocorrer, sem dúvida, algumas preocupações com as empresas como um todo, e não apenas no nível da produção. Mas esse todo da organização é ainda enxergado de forma muito tímida. O francês Henri Fayol (1841-1925), não se fixando apenas na produção, propôs uma definição clássica das funções básicas da administração: planejamento, organização, comando, coordenação e controle.

É a isso que claramente assistimos aqui, tanto nas propostas teóricas quanto no modelo gerado com essa função do DI. Já escrevi por aqui sobre a Taylorização e Fayolização da EaD.

Survey of Instructional Design Models

8 de Fevereiro de 2010 @ 19:25 por João Mattar

GUSTAFSON, K. L.; BRANCH, R. M. Survey of instructional design models. 4th ed. Syracuse, NY: ERIC Clearinghouse on Information & Technology, 2002. Resenha de João Mattar.

Robert Reiser assina o curto Foreword.

O Preface explora algumas definições de design e desenvolvimento instrucional, dentre outros termos, chamando a atenção para a inconsistência conceitual na área. Os autores sugerem uma sexta atividade ao ADDIE, a distribuição ou disseminação e o monitoramente do ambiente de aprendizagem, o que, se ainda não parece apontar para a mediação pedagógica e a interação durante a aprendizagem, já começa a ampliar a atuação do designer instrucional para além da produção de materiais. Chamam também a atenção para a necessidade de o designer instrucional dominar uma variedade de modelos para aplicá-los às mais diversas situações. O Prefácio traça ainda uma rápida história do design instrucional, a partir dos anos 1960, incluindo revisões que procuram apresentar os diferentes modelos disponíveis. E termina afirmando que o design instrucional passa por uma mudança radical na época (2002), a ponto de alguns autores considerarem os modelos tradicionais mortos, enquanto os autores enxergam um movimento de extensão.

Chapter 1. Introduction explora o papel dos modelos no design instrucional, que serviriam como princípios para análise, produção e revisão da instrução. São destacadas ferramentas operacionais como gráficos, diagramas e templates. É possível representar o processo do desenvolvimento instrucional linearmente ou através de atividades e recursos simultâneos. Os autores defendem que o modelo de DI deve ser escolhido em função do contexto do projeto, e por isso é necessário identificar cada modelo com os contextos onde ele pode ser mais útil, o que será feito no capítulo seguinte.

Chapter 2. A Taxonomy of Instructional Design Models propõe uma classificação para os modelos de DI existentes em 3 categorias: sala de aula, produto (para utilização por usuários que não os desenvolvedores) e sistemas mais complexos. Diversas características são propostas para analisar e classificar um modelo em uma dessas categorias, o que será feito nos capítulos seguintes. À primeira vista, parece-me que falta uma categoria para a sala de aula virtual que imagine a atuação do professor, como no caso dos modelos para sala de aula. Os autores mencionam também outra taxonomia, que me pareceu bastante interessante, desenvolvida por J. I. A. (Irene) Visscher-Voerman em seu doutorado: Design approaches in training and education: A reconstructive approach, em que as categorias são: instrumental, comunicativa, pragmática e artística. Cf. VISSCHER-VOERMAN, Irene; GUSTAFSON, Kent L. Paradigms in the Theory and Practice of Education and Training Design. ETR&D, Vol. 52, No. 2, 2004, pp. 69–89.

Chapter 3. Classroom-Oriented Models explora 4 modelos de DI voltados para a sala de aula, que funcionam como um guia para professores:

Gerlach e Ely: especificação do conteúdo, especificação dos objetivos, avaliar os comportamentos de entrada dos alunos, determinação da estratégia, organização de grupos, alocação do tempo, alocação do espaço, seleção de recursos, avaliação do desempenho e análise do feedback.

(ASSURE) (Heinich, Molenda, Russell e Smaldino): Analyze learners; State objectives; Select instructional methods, media, and materials; Utilize media and materials; Require learner participation; Evaluate and revise.

PIE (Newby, Stepich, Lehman e Russell): planejamento, implementação e avaliação.

Morison, Ross e Kemp - cf. Designing Effective Instruction: identifique problemas instrucionais e especifique objetivos para desenhar um programa instrucional; examine as características dos aprendizes que devem receber atenção durante o planejamento; identifique o conteúdo e analise componentes de tarefas relacionados aos objetivos formulados; formule objetivos instrucionais para o aprendiz; sequencie o conteúdo entre cada unidade instrucional para um aprendizado lógico; desenhe estratégias de aprendizagem para que cada aprendiz possa dominar os objetivos; planeje a mensagem instrucional e a distribuição; desenvolva instrumentos de avaliação para avaliar objetivos; selecione recursos para suportar a instrução e as atividades de aprendizagem.

Chapter 4. Product-Oriented Models pressupõe que um produto sofisticado tecnicamente será desenvolvido, que alguma coisa efetivamente necessita ser produzida e que não será necessária a presença do professor, apenas facilitadores ou administradores. São então revisados 5 modelos, com vários gráficos e diagramas: Bergman e Moore (1990), para vídeos e produtos multimídia, com foco no processo; de Hoog, de Jong e de Vries (1994), para simulações e sistemas especialistas por prototipagem rápida; Bates (1995), para desenvolvimento de educação aberta e a distância, chamando a atenção para a flexibilidade e a interação; Nieveen (1997), CASCADE, um EPSS baseado em computador para melhorar a eficiência e qualidade no desenvolvimento de materiais curriculares; e Seels e Glasgow (1998), baseado no ADDIE. Gostaria de voltar a explorar esses modelos com mais calma.

Chapter 5. Systems-Oriented Models pressupõem não apenas produtos, mas todo um curso e currículo. São analisados 6 modelos: Interservice Procedures for Instructional Systems Development (Branson, 1975), um esforço conjunto dos militares norte-americanos; Gentry (1994), focado no desenvolvimento e suporte; Dorsey, Goodrum and Schwen (1997), prototipagem colaborativa rápida, interativo e com a participação do usuário; Diamong (1989), focado no ensino superior e sala de aula; Smith and Ragan (1999), com base na psicologia cognitiva; e Dick, Carey e Carey (2001), uma referência na área, mais orientado a produto. Também quero voltar aqui para explorar alguns desses modelos com mais atenção.

Conclusion chama a atenção para a necessidade de validação mais rigorosa dos modelos. Os autores sugerem que o DI adquira um conhecimento (para trabalho) das categorias e modelos propostos, para avaliar com mais facilidade outros modelos que encontrar e inclusive ser capaz de utilizar modelos diferentes, dependendo da situação. O DI deve carregar esses diversos modelos em sua caixa de ferramentas, para utilizá-los e mesmo modificá-los, em cada projeto. O texto ainda destaca como o desenvolvimento de ferramentas e tecnologias, sistemas de suporte ao desempenho, sistemas de administração de conhecimento e engenharia simultânea estão modificando como enxergamos o DI.