Games em Educação: como os nativos digitais aprendem - Prefácio (David Gibson)

25 de Fevereiro de 2010 @ 10:58 por João Mattar

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MATTAR, João. Games em educação: como os nativos digitais aprendem. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2010.

PREFÁCIO

Nativos digitais - as pessoas que incorporaram mídias digitais em seu cotidiano de maneira significativa - têm novas expectativas em relação à aprendizagem, ao trabalho e à diversão. Eles esperam ser capazes de experimentar coisas de graça, de usar as coisas sempre e tanto quanto desejarem e de encontrar o que precisam, exatamente quando precisam. Eles esperam que as coisas sejam fáceis de compreender ou aprender e que haja pessoas sempre disponíveis, dispostas a ajudar a resolver uma incompreensão ou preencher uma lacuna no entendimento. Esperam ser capazes de reutilizar idéias, imagens e expressões, bem como de criar novos vídeos, músicas, jogos e mais, construindo livremente sobre os trabalhos e produtos de outros. Confiam na sabedoria das multidões. Mais importante: esperam se divertir ao brincar e experimentar com novas ideias e experiências, ser capazes de melhorar o seu desempenho tanto quanto e com a frequência que desejarem, e compartilhar suas expertises com o mundo tão facilmente quanto o fazem com seus amigos íntimos.

Suas experiências com mídias digitais fazem parte de uma transformação cultural mais ampla que está simultaneamente moldando-os e proporcionando-lhes um novo meio para sua criatividade e participação. A cultura emergente tanto exige quanto implica liberdades individuais e poderes de investigação e expressão mais amplos. Características como hipermídia, armazenamento do conhecimento mundial, redes sociais e suporte para análise e visualização estão produzindo uma democratização cada vez maior da informação e dos meios de produção.Tais características são importantes sinalizadores da transformação da educação, se pudermos vislumbrá-las, compreendê-las e utilizá-las para nos reorganizar.

João Mattar coloca muitos sinalizadores diante de nós. Ele aponta que as habilidades com mídias digitais mais necessárias hoje não estão sendo ensinadas ou favorecidas nas escolas, um sinal da necessidade de os sistemas educativos reexaminarem o que ensinam. Ele observa que as fronteiras entre trabalho, diversão e aprendizagem estão desaparecendo, um sinal de que os educadores precisam repensar como ensinam. Ele ressalta que as fontes tradicionais de autoridade encontram-se enfraquecidas pelas novas experiências que permitem aprender qualquer coisa a qualquer momento, um sinal da necessidade de reexaminar o modo como a educação é organizada e validada. Mattar partilha o insight de que o uso de games em educação pode lançar uma luz sobre muitas questões levantadas hoje, por meio de um programa variado e amplo de pesquisa e desenvolvimento de campo. Seu breve esboço manteria uma faculdade ocupada por vários anos, trabalhando em parceria com escolas locais para descobrir, testar coisas novas, experimentar e documentar conclusões que levem a novas idéias e teorias que, por sua vez, ajudem a construir uma ponte sobre o fosso entre a cultura de mídias digitais e os atuais sistemas educacionais.

Ler João Mattar é penetrar em uma mente aberta a novas possibilidades no mundo, partilhar com ele uma viagem, rumo às melhores e mais recentes ideias sobre a utilização da vanguarda na evolução das mídias digitais para melhorar a educação. Ele nos convida a manter um olho nos sinalizadores e começar a colocá-los em uma ordem que faça sentido para nós, a nos voltarmos e ajudarmos os outros a enxergar uma nova direção para o ensino e a aprendizagem - uma direção séria, divertida, eficaz e recompensadora.

David Gibson
Professor e pesquisador da Faculdade de Engenharia e Ciências Matemáticas da Universidade de Vermont.
Fundador e director executivo do Global Challenge Award, um programa de estudo e pesquisa para alunos do ensino médio.
Autor de Games and Simulations in Online Learning e Digital Simulations for Improving Education, dentre inúmeros outros livros e artigos.
Criador da simSchool, um simulador de sala de aula para treinamento de professores.

A de ADDIE

24 de Fevereiro de 2010 @ 16:07 por João Mattar

O que significa o A (Analysis) do modelo ADDIE de design instrucional? Lloyd Rieber dá uma rápida explicação:

Ross Perkins faz uma apresentação mais longa em Learner & Context Analysis.

Antes de começar a produzir material instrucional, devemos conhecer o máximo possível o contexto e os aprendizes.

O cap. 3 de Instructional Design explora a análise do contexto.

Cf. Instructional Technologies in Developing Countries: a contextual analysis approach, que está baseado em um artigo bem maior, que explora a análise do contexto no DI:

Tessmer, M., & Richey, R.C. (1997). The role of context in learning and instructional design. Educational Technology Research & Development, (45)2, 1042-1629.

Uma coisa é dizer que devemos focar no aprendiz ou que fazemos educação centrada no aluno, outra muito diferente (e mais difícil) é desenvolver formas para atender às necessidades de aprendizagem de um grupo diverso de alunos. A análise dos aprendizes é explorada no cap. 4 de Intructional Design.

Schools Don’t Want Technology, Schools Want Education, apresentada por Elliot Soloway, da Universidade de Michigan, fala sobre tecnologia, currículo e aprendizes, e apesar de longa (53:13) e produzida em 1999, ainda pode ser útil.

Instructional Technologies in Developing Countries: a contextual analysis approach

24 de Fevereiro de 2010 @ 15:23 por João Mattar

ARIAS, Sonia; CLARK, Kevin A. Instructional Technologies in Developing Countries: A Contextual Analysis Approach. TechTrends, Volume 48, Number 4, July 2004, p. 52-55, 70.

O artigo discute a implementação do design instrucional em países em desenvolvimento. Uma das sugestões é que seja evitada a simples replicação de processos utilizados em países industrializados.

Os autores apresentam uma adaptação do modelo de análise baseado no contexto, de Tessmer e Richey, ampliando a fase de análise dos fatores sócio-culturais, ambientais e organizacionais, incluindo fatores específicos para países os em desenvolvimento.

Tessmer, M., & Richey, R.C. (1997). The role of context in learning and instructional design. Educational Technology Research & Development, (45)2, 1042-1629.

Inicialmente, os autores apresentam alguns exemplos de como tecnologias instrucionais estão sendo utilizadas em países em desenvolvimento.

Em seguida, discutem os desafios da tecnologia instrucional em países em desenvolvimento, divididos em fatores: (a) sócio-culturais e de capacidade humana (cultura de participação incipiente – em que nível os usuários estariam interessados em compartilhar informações?, tomadas de decisão centralizadas, falta de planejamento orçamentário, e escassez de pessoal qualificado – o que tende a gerar problemas de manutenção) e (b) infraestruturais (redes elétricas e de telecomunicações pouco confiáveis; suporte para hardware, software e manutenção; instalações adequadas).

Nesse sentido, o modelo de Tessmer e Richey é expandido na fase de análise do contexto, com a inclusão de fatores ambientais (motivação, release time, compensação, cultura da participação e disponibilidade de eletricidade e instalações apropriadas) e organizacionais (tomada de decisão centralizada, capacidade de planejamento orçamentário e desenvolvimento de capacidade humana).

Modelo Analise do Contexto - Modelo Analise do Contexto

Wittgenstein (Derek Jarman)

20 de Fevereiro de 2010 @ 16:41 por João Mattar

No filme Wittgenstein (1993), em que Terry Eagleton participa do roteiro, o diretor Derek Jarman apresenta uma dramatização muitas vezes irônica da vida e das ideias do filósofo austríaco. O filme foi montado com sketches, no estilo da escrita dos fragmentos e aforismas de Wittgenstein. Apresenta, por exemplo, diálogos estranhos com seu professor Bertrand Russell. Assista inteiro:

O Milagre de Annie Sullivan (The Miracle Worker)

20 de Fevereiro de 2010 @ 14:32 por João Mattar

Assisti neste dias em DVD o sensacional O Milagre de Anna Sullivan (The Miracle Worker).

Atenção: escrevo posts para refletir sobre filmes sem me preocupar em esconder o final. Portanto, se você não assistiu a este filme mas algum dia pretende assisti-lo, sugiro que pare de ler e só volte aqui depois, senão este post poderá acabar funcionando como um spoiler!

Atores: Anne Bancroft (Annie Sullivan), Patty Duke (Helen Keller), Victor Jory (Capitão Keller), Inga Swenson (Kate Keller), Andrew Prine (James Keller), Kathleen Comegys (Tia Ev), Beah Richards (Viney, empregada), Jack Hollander (Anagnos), Michele Farr (Annie com 10 anos), Alan Howard (Jimmie com 8)
Direção: Arthur Penn
Idioma: Inglês
Ano de produção: 1962
País de produção: Estados Unidos
Duração: 106 min.
Preto-e-branco
Produção: Fred Coe
Roteiro (concorreu ao Oscar): William Gibson (baseado na peça The Miracle Worker, e no livro The Story of my Life, da própria Helen Keller)
Trilha Sonora: Laurence Rosenthal
Edição: Aram Avakian
Direção de Arte: Mel Bourne, George Jenkins
Figurino (muito bonito, que concorreu ao Oscar): Ruth Morley
Fotografia (maravilhosa): Ernesto Caparrós

O filme conta apenas uma pequena parte da maravilhosa história da surdo-cega (e inicialmente também muda) Helen Keller. Quando ela está com 7 anos, a professora Annie Sullivan é chamada de Boston para tentar ajudá-la. Annie, na época com 20 anos, também tinha enfrentado a cegueira, recuperando parte da visão após duas operações.

O filme mostra principalmente o esforço de Annie para ensinar Helen a se comportar, por exemplo comer com colher e não com as mãos. O confronto não é apenas com Helen, mas também com os pais, que sempre a mimaram excessivamente.

A clássica cena das duas brigando na sala de refeição é impressionante - aqui já um pouco cortada no início, quando Annie expulsa os pais da sala:

As duas, aliás, ganharam não só o Oscar de melhor atriz e atriz coadjuvante, mas também outros prêmios: Anne Bancroft ganhou o San Sebastian (1962) e BAFTA 1963, e Patty Duke ganhou o Globo de Ouro (1963) como atriz iniciante mais promissora.

Annie consegue ensinar letras e palavras a Helen através do tato e das mãos, pela língua de sinais.

Quando Helen começa a aprender as palavras, há uma cena interessante em que ela aparece soletrando palavras enquanto sonhava.

Sullivan leva Helen para uma casa ao lado da casa principal da família, para educá-la sozinha e separada dos pais por algumas semanas.

Na verdade, o filme só vai até uma fase inicial do ensinamento, em que Helen começa a associar as palavras aos objetos, mas na vida real Annie continuará a tutoria praticamente até a sua morte, em 1936.

Keller, por sua vez, se tornará uma célebre escritora, filósofa e conferencista, mas isso o filme não mostra. Cf. p. ex. o Helen Keller Kids Museum, que conta a história de sua vida com várias fotos e documentos.

The Miracle Worker foi refilmado duas vezes para a televisão, em 1979 (em que Patty Duke, que interpretou Helen Keller na versão branco e preta, interpreta aqui Anne Sullivan):

e 2000:

Aqui é possível assistir a uma passagem do documentário Helen Keller in Her Story, produzido por Nancy Hamilton e narrado por Katherine Cornell, em que a própria Helen Keller interpreta seu papel:

A história de Helen Keller é um testemunho belíssimo em vários sentidos, um deles para a reflexão da filosofia da linguagem. O filme, entretanto, apesar de ser uma obra-prima imperdível, não serve muito para esse propósito, pois não sai de uma fase muito inicial do aprendizado linguístico de Keller.

Área de Suprimentos como Gerador de Valor para a Organização

19 de Fevereiro de 2010 @ 19:22 por João Mattar

Acabo de receber pelo correio a Revista Temas em Administração: diversos olhares, publicada pelo Curso de Administração das Faculdades Integradas Padre Albino, de Catanduva-SP.

Nela, saiu o artigo que escrevi com meu amigo Raul, que agora está fazendo um MBA na Universidade da California em Berkeley:

CARDOSO, Raul; MATTAR, João. Área de suprimentos como geradora de valor para a organização. Temas em Administração: diversos olhares, Catanduva, SP: Faculdades Integradas Padre Albino, Curso de Administração, v. 2, n. 1, p. 30-36, jan./dez. 2009.

Reproduzo a seguir o resumo:

ÁREA DE SUPRIMENTOS COMO GERADORA DE VALOR PARA A ORGANIZAÇÃO

Resumo
O estudo tem como objetivo identificar as principais características do modelo tradicional das áreas de Compras das organizações e compará-las com as características do novo modelo de Suprimentos. A condição para esta mudança conceitual é a compreensão pela Direção das organizações do papel estratégico que pode ser desempenhado por Compras. O estudo demonstra as mudanças necessárias nas quatro dimensões que sustentam as organizações: estrutura, pessoas, processos e tecnologia. Em seguida, são detalhadas algumas das melhores práticas já adotadas pelas empresas que priorizaram estas mudanças. Ao abordar estas ações, são considerados os benefícios potenciais e descritas as possíveis dificuldades inerentes à implantação. As observações presentes neste estudo foram verificadas durante as experiências profissionais dos autores e em pesquisas junto a empresas e especialistas no setor. As conclusões do estudo demonstram a importância da adoção do novo modelo para empresas de diversos setores em função do potencial de geração de resultados já experimentados por diversas organizações.

Palavras-chave: Suprimentos. Geração de valor. Modelo de Compras.

PROCUREMENT AS A VALUE GENERATOR FOR THE ORGANIZATION

Abstract
The objective of this paper is to identify the most relevant characteristics of the traditional model of Procurement and to compare these characteristics to the new model. The condition to this conceptual change is the board’s understanding of the strategic role that can be developed by the Purchasing area. This article demonstrates the necessary changes in the four dimensions that sustain the organizations: structure, people, processes and technology. In the sequence of the article, some of the best practices are presented. The potential benefits are listed, and also the potential issues that can cause some difficulties while implementing the model. The observations from this paper were experienced during the professional experiences from the authors and from researches with specialists from this segment. The conclusions from this article show that organizations from various segments should consider adopting this model due to the potential value generation already experienced by many organizations.

Keywords: Procurement. Value generation. Purchasing model.

Recursos Educacionais Abertos

17 de Fevereiro de 2010 @ 09:37 por João Mattar

Há algum tempo eu escrevi o post Para além do Google… com uma lista comentada de sites alternativos ao Google para buscas científicas. Há várias dicas por lá para acesso a artigos científicos, dissertações e teses.

Aqui, uma lista de sites onde você pode encontrar livros e materiais educacionais abertos e gratuitos:

Academic Earth

BIOE - Banco Internacional de Objetos Educacionais - repositório mantido pelo Ministério da Educação em parceria com outros órgãos, que inclui imagem, mapa, hipertexto, áudio, vídeo, animação, simulação, software educacional etc.

Brasiliana USP - coleção de livros e documentos de e sobre o Brasil.

Connexions

CK-12

Community College Open Textbook Collaborative

DiscoverEd - portal para busca de recursos educacionais na web.

Domínio Público - biblioteca digital desenvolvida em software livre - não é uma maravilha de acervo, mas você encontra diferentes formatos de documentos.

Flat World Knowledge

flickrCC

Folksemantic

Free Digital Textbook Initiative

Internet Archive - biblioteca digital de textos, áudio, vídeos etc.

Intute - site britânico que ajuda a encontrar recursos na web para estudo e pesquisa.

Knowledge Hub - catálogo de Recursos Educacionais Abertos.

Librivox

MERLOT

Morgue Files

OER Commons

OER useful resources/Repositories - inúmeros links para recursos e repositórios que ainda preciso explorar com mais calma e explodir por aqui, assim como outra página da Unesco OER, Searching for and finding OER.

Open Clip Art Library

Open Courseware Consortium

OpenDOAR - The Directory of Open Access Repositories

Orange Grove

Orange Grove Text Plus

Project Gutenberg - livros em domínio público.

Qedoc

ROAR - Registry of Open Access Repositories

SOFIA

UniversitySurf - cursos e materiais em francês

USG Share

Wikibooks

WiZiQ

Sugestões para ampliar a lista?

Danton - O Processo da Revolução

16 de Fevereiro de 2010 @ 14:03 por João Mattar

Assisti novamente ontem em DVD Danton - O Processo da Revolução, dirigido por Andrzej Wajda.

Atenção: escrevo posts para refletir sobre filmes sem me preocupar em esconder o final. Portanto, se você não assistiu a este filme mas algum dia pretende assisti-lo, sugiro que pare de ler e só volte aqui depois, senão este post poderá acabar funcionando como um spoiler!

Atores: Gérard Depardieu (Danton), Wojciech Pszoniak (Robespierre), Patrice Chéreau (Camille Desmoulins), Angela Winkler (Lucille Desmoulins, esposa de Camille), Boguslaw Linda (Saint Just), Roland Blanche (Lacroix), Anne Alvaro (Eleonore Duplay), Roger Planchon (Fourquier Tinville), Serge Merlin (Philippeaux), Lucien Melki (Fabre d’Églantine)
Direção: Andrzej Wajda
Idioma: Francês
Ano de produção: 1983
País de produção: França, Polônia
Duração: 131 min.
Colorido
Produção: Margaret Menegoz, Emmanuel Schlumberger
Roteiro: Andrzej Wajda, Jean-Claude Carrière, Jacek Gasiorowski, Agnieszka Holland, Boleslaw Michalek
Fotografia: Igor Luther
Trilha Sonora: Jean Prodromides (na verdade, o filme praticamente não tem música)
Edição: Halina Prugal-Ketling
Cenografia: Allan Starski
Direção de Arte: Allan Starski, Gilles Vaster
Figurino (um dos destaques do filme): Yvonne Sassinot de Nesle
Som: Dominique Hennequin, Jean-Pierre Ruh, Piotr Zawadzki
Maquiagem: Jackie Raynal

O filme começa em 1794, alguns anos após o início da Revolução Francesa (1789). A França passa por uma crise econômica e o filme mostra inúmeras pessoas morando na rua e passando fome.

É a fase do Terror, que se instaurou após a Revolução, liderada pelos próprios revolucionários que a tinham proclamado.

O filme foca basicamente no enfrentamento entre o jacobino Maximilien Robespierre, que está no poder, e o dissidente Georges Danton, brilhantemente interpretado por Gérard Depardieu, que tem o apoio do povo.

Na verdade, os dois são retratados como moderados no início do filme, mas sempre pressionados por seus assessores. No final, tanto Robespierre quanto Danton radicalizarão suas posições.

Na cena inicial, um menino aparece apanhando durante o banho, para decorar a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão.

O filme mostra por exemplo a invasão e destruição de um jornal dirigido por Camille Desmoulins, amigo de Danton.

Uma cena interessante é o encontro em que Robespierre tenta convencer Danton a apoiá-lo:

Como Danton não aceita a proposta, acaba sendo preso com alguns de seus colegas.

Na Convenção Nacional, amigos de Danton o traem. Aqui a fala de Robespierre na Convenção:

Várias cenas abordam o julgamento de Danton e seus colegas, que tem como juiz Fourquier Tinville.

As cenas finais da guilhotina são fortes. Danton grita: “Robespierre, você me seguirá em 3 meses!”, o que efetivamente ocorrerá, apesar de o filme não mostrar. Em julho de 1794, os jacobinos Robespierre e Saint-Just são presos, julgados e guilhotinados, o que marcará o retorno dos girondinos e da alta burguesia ao poder.

A Revolução Francesa e o Reino do Terror não se resumiram, obviamente, apenas ao confronto entre Robespierre e Danton. Muitas outras forças sociais que não aparecem no filme entraram em jogo, como por exemplo a guerra em que a França encontrava-se envolvida. Pode-se dizer que o filme é, muito mais, um confronto psicológico entre 2 personagens. Mas para nos levar de volta ao período e nos fazer refletir como ideais revolucionários podem se perverter em ditadura, o filme é uma obra-prima.

Clube da Luta (Fight Club)

16 de Fevereiro de 2010 @ 12:31 por João Mattar

Neste sábado assisti em DVD Clube da Luta (Fight Club).

Atenção: escrevo posts para refletir sobre filmes sem me preocupar em esconder o final. Portanto, se você não assistiu a este filme mas algum dia pretende assisti-lo, sugiro que pare de ler e só volte aqui depois, senão este post poderá acabar funcionando como um spoiler!

Atores: Edward Norton, Helena Bonham Carter, Meat Loaf, Brad Pitt, Jared Leto, Meat Loaf, Zach Grenier
Direção: David Fincher
Ano de produção: 1998
País de produção: Estados Unidos
Duração: 139 min.
Colorido

Um homem começa a frequentar grupos de apoio (p.ex. para pacientes com câncer) e conhece uma mulher.

Depois que conhece um homem numa viagem de avião, abandona os centros e funda com o novo amigo o Clube da Luta, que se espalha por várias cidades. Seu amigo começa a se relacionar com a mulher que ele tinha conhecido nos centros de apoio.

O Clube da Luta se transforma numa associação terrorista.

No final, descobrimos que os 2 amigos são na verdade duas personalidades da mesma pessoa.

Cf. o trailer:

Volto ao post nos próximos dias para refletir sobre o filme e a violência.

Kill Bill - Vol. 1 & 2

14 de Fevereiro de 2010 @ 23:18 por João Mattar

Ontem assisti em DVD Kill Bill vol. 1 e vol. 2, dirigidos por Quentin Tarantino.

Atenção: escrevo posts para refletir sobre filmes sem me preocupar em esconder o final. Portanto, se você não assistiu a este filme mas algum dia pretende assisti-lo, sugiro que pare de ler e só volte aqui depois, senão este post poderá acabar funcionando como um spoiler!

Durante a próxima semana retorno a este post para falar sobre violência e mais sobre os filmes.

Kill Bill vol. 1

EUA, 2003, Cor (com partes em preto-e-branco), 110′
Atores: Uma Thurman (Beatrix Kiddo), Lucy Liu (O-Ren Ishii), Vivica A. Fox (Vernita Green), Daryl Hannah, David Carradine, Michael Madsen, Julie Dreyfus, Chiaki Kuriyama, Sonny Chiba, Chia Hui Liu
Direção / Roteiro: Quentin Tarantino
Produção: Quentin Tarantino e Lawrence Bender
Produtores associados: Koko Maeda, Dede Nickerson
Produtores executivos: Erica Steinberg, E. Bennett Walsh, Bob Weinstein, Harvey Weinstein
Fotografia: Robert Richardson
Trilha sonora: RZA, Lars Ulrich
Montagem: Sally Menke
Desenho de produção: Yohei Taneda, David Wasco
Direção de arte: Dan Bradford
Cenário: Peter Davidson, Mary Finn, Sandy Reynolds-Wasco
Figurino: Kumiko Ogawa
Som: Catherine Marie Thomas, Mark Ulano
Primeiro assistente de diretor: William Paul Clark, Zhang Jinzhen
Animação: Production I.G.
Coreografia das lutas: Sonny Chiba, Yuen Woo Ping

No dia de seu casamento, seu noivo e os demais presentes são assassinados numa capela em El Paso, mas Beatrix Kiddo, ex-assassina de elite, sobrevive e fica em coma. Ela acorda depois de cinco anos, sem a filha que carregava na barriga, e sua obsessão a partir de então passa a ser se vingar de seus 5 ex-comparsas do Esquadrão Assassino de Víboras Mortais, que cometeram o crime, comandados por Bill. Neste volume, ela consegue matar duas delas, Vernita Green e O-Ren Ishii.

Kill Bill é uma faz várias referências a filmes de bang-bang, kung-fu, samurai e outros gêneros: Bruce Lee (roupa amarela, cenário do duelo final e máscara dos membros da gangue de O-Ren), diretor Sergio Leone (extremes close-up e tensão nas cenas de duelos) e estúdio Shaw Bros (imagem do logotipo da Shaw Brothers). Chang Cheh, da Shaw Bros, desenvolveu a técnica do sangue jorrando dos personagens.

O filme utiliza vários temas musicais de faroestes: Os Longos Dias de Vingança (1966), O Grande Duelo (1972), A Morte Anda a Cavalo (1968) e Dias de Ira (1967), além de referências à série O Besouro Verde, canções de Isaac Hayes dos anos 70 e música do rapper RZA.

No meio do filme há uma longa e interessante seqüência em anime:

O astro japonês Sonny Chiba, mestre Hattori Hanzo, que interpreta o criador da espada usada pela Noiva, foi também coordenador das lutas Kenjutsu de espadas samurais.

A luta final é uma longa cena, parte da qual é representada aqui:

No final dos créditos lemos um R.I.P. para Charles Bronson (1921-2003), Kinji Fukasaku (1930-2003), Chang Cheh (1923-2002), Lo Lieh (1939-2002), Shintaro Katsu e William Witney (1915 - 2002).

Cf. o trailer:

Kill Bill vol. 2

EUA, 2004, Cor, 137′
Atores: Uma Thurman, David Carradine (Bill), Lucy Liu, Vivica A. Fox, Chia Hui Liu, Michael Madsen (Budd), Michael Parks, Daryl Hannah (Elle Driver), Bo Svenson, Jeannie Epper
Roteiro: Quentin Tarantino
Produção: Quentin Tarantino e Lawrence Bender
Fotografia: Robert Richardson
Supervisão Musical: Mary Ramos
Trilha Sonora: Robert Rodriguez, RZA, Lars Ulrich
Edição: Sally Menke
Desenho de Produção: Cao Jiuping, Cao Jui Ping, Yohei Taneda, David Wasco
Direção de Arte: Dan Bradford, Liu Luyi
Produção Associada: Koko Maeda, Dede Nickerson
Produção Executiva: Erica Steinberg, E. Bennett Walsh, Bob Weinstein, Harvey Weinstein
Cenografia: Ma Yingli
Figurino: Kumiko Ogawa e Catherine Marie Thomas
Decoração: Sandy Reynolds-Wasco
Som: Mark Ulano
Assist. Direção: William Paul Clark
Elenco: Johanna Ray
Coordenação de dublês: Keith Adams
Efeitos Visuais: Centro Digital Pictures
Coreografia de Lutas: Sonny Chiba

Kill Bill 2 completa a saga de vingança iniciada por Beatrix Kiddo em Kill Bill 1. Há alguns flashbacks do vol. 1, recontando inclusive partes da história que não tinham ficado claras. Com dois nomes riscados de sua lista, os próximos a vingar são Budd, Elle Driver e Bill, seu antigo mestre, amante e mandante da execução.

Gordon Liu interpreta Pai Mei, o clássico vilão de sobrancelhas e longos cabelos brancos dos antigos filmes de artes marciais, que dá um longo treinamento para Beatrixx:

O filme nos deixa curiosos para saber o que acontecerá no final, que subverte todas as expectativas, quando a Noiva re-eencontra Bill com sua filha que está viva, mas no final consegue matá-lo. É um final longo, tenso e magistral.

Cf. o trailer:

Volto aqui durante a semana para atualizar o post.