
Assisti novamente ontem em DVD Danton – O Processo da Revolução, dirigido por Andrzej Wajda.
Atenção: escrevo posts para refletir sobre filmes sem me preocupar em esconder o final. Portanto, se você não assistiu a este filme mas algum dia pretende assisti-lo, sugiro que pare de ler e só volte aqui depois, senão este post poderá acabar funcionando como um spoiler!
Atores: Gérard Depardieu (Danton), Wojciech Pszoniak (Robespierre), Patrice Chéreau (Camille Desmoulins), Angela Winkler (Lucille Desmoulins, esposa de Camille), Boguslaw Linda (Saint Just), Roland Blanche (Lacroix), Anne Alvaro (Eleonore Duplay), Roger Planchon (Fourquier Tinville), Serge Merlin (Philippeaux), Lucien Melki (Fabre d’Églantine)
Direção: Andrzej Wajda
Idioma: Francês
Ano de produção: 1983
País de produção: França, Polônia
Duração: 131 min.
Colorido
Produção: Margaret Menegoz, Emmanuel Schlumberger
Roteiro: Andrzej Wajda, Jean-Claude Carrière, Jacek Gasiorowski, Agnieszka Holland, Boleslaw Michalek
Fotografia: Igor Luther
Trilha Sonora: Jean Prodromides (na verdade, o filme praticamente não tem música)
Edição: Halina Prugal-Ketling
Cenografia: Allan Starski
Direção de Arte: Allan Starski, Gilles Vaster
Figurino (um dos destaques do filme): Yvonne Sassinot de Nesle
Som: Dominique Hennequin, Jean-Pierre Ruh, Piotr Zawadzki
Maquiagem: Jackie Raynal
O filme começa em 1794, alguns anos após o início da Revolução Francesa (1789). A França passa por uma crise econômica e o filme mostra inúmeras pessoas morando na rua e passando fome.
É a fase do Terror, que se instaurou após a Revolução, liderada pelos próprios revolucionários que a tinham proclamado.
O filme foca basicamente no enfrentamento entre o jacobino Maximilien Robespierre, que está no poder, e o dissidente Georges Danton, brilhantemente interpretado por Gérard Depardieu, que tem o apoio do povo.
Na verdade, os dois são retratados como moderados no início do filme, mas sempre pressionados por seus assessores. No final, tanto Robespierre quanto Danton radicalizarão suas posições.
Na cena inicial, um menino aparece apanhando durante o banho, para decorar a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão.
O filme mostra por exemplo a invasão e destruição de um jornal dirigido por Camille Desmoulins, amigo de Danton.
Uma cena interessante é o encontro em que Robespierre tenta convencer Danton a apoiá-lo:
Como Danton não aceita a proposta, acaba sendo preso com alguns de seus colegas.
Na Convenção Nacional, amigos de Danton o traem. Aqui a fala de Robespierre na Convenção:
Várias cenas abordam o julgamento de Danton e seus colegas, que tem como juiz Fourquier Tinville.
As cenas finais da guilhotina são fortes. Danton grita: “Robespierre, você me seguirá em 3 meses!”, o que efetivamente ocorrerá, apesar de o filme não mostrar. Em julho de 1794, os jacobinos Robespierre e Saint-Just são presos, julgados e guilhotinados, o que marcará o retorno dos girondinos e da alta burguesia ao poder.
A Revolução Francesa e o Reino do Terror não se resumiram, obviamente, apenas ao confronto entre Robespierre e Danton. Muitas outras forças sociais que não aparecem no filme entraram em jogo, como por exemplo a guerra em que a França encontrava-se envolvida. Pode-se dizer que o filme é, muito mais, um confronto psicológico entre 2 personagens. Mas para nos levar de volta ao período e nos fazer refletir como ideais revolucionários podem se perverter em ditadura, o filme é uma obra-prima.
este (filme) me foi indicado pelo meu professor e gostaria de assisti-lo legendado, até para comprovar vossas informações.
um grande abraço