DELIBERAÇÃO CEE Nº 77/08
Eu já devia ter comentado isso por aqui há bastante tempo, mas esperei um pouco as reações até para entender melhor o que estava acontecendo. Desde o mês passado, a EaD faz oficialmente parte do ensino fundamental e médio no Estado de São Paulo. Oficialmente!
O Conselho Estadual de Educação de São Paulo homologou em Outubro de 2008 a Deliberação CEE 77/08, que autoriza o uso da EaD por escolas no Estado de São Paulo.
O Art. 3º da Deliberação diz: “No ensino fundamental poderão ser utilizados mecanismos de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC), para atividades complementares de ensino, reforço e recuperação.” Aqui, o uso da EaD fica mais restrito, pois a referência é ao uso de tecnologias da informação e comunicação, e apenas em alguns tipos de atividades, o que no fundo já ocorre em muitas escolas.
Já o Art. 4º diz: “No ensino médio, quaisquer componentes curriculares poderão ser trabalhados na modalidade semipresencial.”, e os dois parágrafos seguintes explicam o que isso quer dizer:
“§ 1º - Considera-se modalidade semipresencial quaisquer atividades didáticas, módulos ou unidades de ensino centrados na auto-aprendizagem e com a mediação de recursos didáticos organizados em diferentes suportes de informação que utilizem tecnologias de informação e comunicação remota.
§ 2º - O limite máximo para oferta de componentes curriculares nesta modalidade é de 20% do total de horas destinadas ao curso.”
Ou seja, no ensino médio em São Paulo, assim como no ensino superior em todo o país (há bem mais tempo), está autorizado oficialmente o uso de 20% da carga horária com EaD. De novo, como no caso dos cursos seqüenciais, por exemplo, temos o poder público tentando empurrar a educação para o novo. Parece que, para as escolas, já havia um tipo de autorização oficial para o uso da EaD (desde que elas fizessem uma requisição), mas ninguém entendeu e/ou não quis arriscar. No fundo, ficamos discutindo o novo em congressos de educação e publicações, mas precisamos da legislação para nos provocar - e veremos logo mais como!
A discussão que se segue à Deliberação toca novamente no assunto. Chama inicialmente a atenção para o momento em que a LDB fala de “uso da Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) e veiculação de programas de ensino a distância e de educação continuada”. A Deliberação fala também das possibilidades do “uso de espaço alternativo não limitado ao espaço da sala de aula”, espaços que seriam ainda muito pouco utilizados por escolas. Mas é no final que aborda especificamente a EaD, em dois parágrafos:
“O uso da Tecnologia da Informação e Comunicação (TICs) para o ensino a distância no ensino fundamental pode ser utilizado apenas como complementação da aprendizagem ou em situações emergenciais. Não se trata aqui de propor o uso do ensino a distância para fazer frente às mudanças do currículo básico do ensino fundamental e médio. Trata-se de chamar a atenção para uma metodologia que pode e deve ser estimulada para promover a melhor aprendizagem dos alunos, complementando conhecimentos com contextos mais reais e dinâmicos; promovendo a oferta de alternativas para recuperação, reforço e avanços de alunos e até mesmo para promover a aprendizagem de uma segunda e terceira língua estrangeira ou de orientação e de educação profissional. Enfim, trata-se de diversificar e oferecer oportunidades para que os alunos possam optar por módulos complementares de estudos.
O Plano Nacional de Educação definiu que o ensino superior pode fazer uso de metodologias a distância, limitando-o a 20% da carga horária do curso, sem necessidade de autorização ou credenciamento. Nada impede que este Colegiado estabeleça o mesmo para a educação básica, na mesma proporção prevista para o ensino superior, visando incentivar o desenvolvimento e a veiculação de programas de ensino a distância, em todos os níveis e modalidades de ensino, e de educação continuada (art. 80 da LDB).”
O Conselho Estadual de Educação de São Paulo saiu na frente no nosso país, mas rapidamente começou a colher os “frutos” da coragem. Na verdade, já há uma contradição implícita na própria Deliberação, pois a atual gestão da Secretaria da Educação do governo de São Paulo não pretende implementar a mudança na sua rede, pois entende que a presença do professor na sala de aula é essencial. Ora, mas onde a Deliberação diz que o contrário? Parece que o Deputado Estadual Carlos Giannazi (PSOL) protocolou ontem na Assembléia um projeto de decreto legislativo para sustar o dispositivo. O Congresso da ANPEd (sobre o qual ainda estou devendo uma página por aqui), realizado no mês passado em Caxambu, aprovou por unanimidade uma moção de repúdio à Deliberação sem nenhuma discussão na Assembléia Geral, realizada no final do evento. O Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior – ANDES enviou imediatamente uma carta de repúdio ao governador José Serra, que diz simplesmente que “tal iniciativa comprometerá a qualidade do ensino no Estado de São Paulo.” Devem estar sendo produzidas muitas outras cartas de repúdio como estas. Percebe-se que a Deliberação, e principalmente a discussão que se segue a ela, são muito mais profundas do que essas pequenas mensagens.
Na Internet estão disponíveis trechos da opinião do presidente do Sieeesp (Sindicato das Escolas Particulares de SP), José Augusto de Mattos Lourenço, que se diz preocupado com a norma, pois “é preciso que haja um forte controle nos sistemas. O professor precisa saber quantas horas cada aluno trabalhou, o que ele fez. Se isso não ocorrer, a carga horária será perdida, e haverá queda no ensino”. Quem entende um pouco de EaD sabe que “quantas horas o aluno trabalhou” e “forte controle nos sistemas” não são, nem de longe, os pontos mais importantes para que um projeto de EaD funcione e ocorra um aprendizado de qualidade.
Outro risco, apontado por muitos, é a tendência ao individualismo e isolamento que a EaD pode proporcionar aos jovens. Já andei discutindo isso por aqui em Home Schooling e Unschooling, e hoje inclusive recebi um e-mail do pai que está sendo processado em Timóteo-MG, por educar seus filhos em casa. Pretendo conhecer a família mais de perto, logo teremos novidades por aqui. O risco do isolamento deve ser avaliado no caso da educação totalmente à distância, como no caso dos meninos de Timóteo, mas me parece um “risco” muito pequeno para uma carga de 20% de EaD. Isso sem falar, é claro, nas vantagens de uma boa EaD - este blog está repleto de reflexões sobre o tema.
Quais são, então, os reais problemas e perigos dessa Deliberação? Por que ela causa reações imeadiata mas inconsciente, que não sabem muito bem definir que tipos de medos e ameaças ela causa aos professores e alunos?
No exterior, principalmente nos países de língua inglesa, é bastante comum o uso de EaD no ensino básico, inclusive do mais radical home schooling, em que os pais ou tutores educam os filhos fora das escolas. Nos Estados Unidos, por exemplo, é incrível a oferta de Online High Schools, ou seja, o ensino médio pode ser cursado totalmente à distância.
No Brasil, a EaD já é utilizada na educação básica, e o exemplo mais óbvio são as lições de casa. Mas é também utilizada em atividades complementares, como eventos culturais, apoio e recuperação, dentre outras. Essas atividades, entretanto, em geral não contam para o mínimo de 800 horas letivas que as escolas são obrigadas a oferecer por ano. Agora, até 160 horas dessas 800 horas podem ser oferecidas à distância. No ensino fundamental, isso só poderia ser feito em “atividades complementares de ensino, reforço e recuperação”, como diz a Deliberação. Mas, pelo meu entendimento, essas atividades “complementares” poderiam fazer parte das 800 horas. Provavelmente aqui teremos um ponto para disputas legais, de esclarecimentos e interpretações do documento legal. No ensino médio, entretanto, a liberdade é total: “quaisquer componentes curriculares poderão ser trabalhados na modalidade semipresencial”.
Um dos riscos reais dessa Deliberação é que as escolas, assim como fizeram muitas instituições de ensino superior, encarem a EaD simplemente como uma opção de redução de custos. A UNE (União Nacional dos Estudantes) já se manifestou demonstrando preocupação com isso, pois acompanhou de perto e reagiu, ainda que modestamente, ao movimento das instituições de ensino superior privadas que cortaram disciplinas presenciais e passaram a oferecê-las a distância apenas para gerar lucro, sem preocupação nem compromisso com a educação. Pode-se dizer que este blog, que já tem mais de 2 anos, nasceu como uma reação a esse uso da EaD na educação superior. O post Cobrar, Pagar e Fornecer abordou o assunto mais de perto, dentre vários outros, mais ou menos na mesma época. Talvez na educação básica isso seja mais difícil de ocorrer, pela reação dos pais. Os pais, portanto, precisam estar organizados, senão a coisa vai para a cucuia. As próprias escolas, as sérias, terão de preparar iniciativas para sensibilizar os pais, explicar um pouco como funciona a EaD, como os seus filhos poderão aproveitar e aprender de uma maneira diferente utilizando tecnologias etc. E, principalmente, mostrar que a EaD está sendo utilizada não apenas para baixar custos, mas como ferramenta de educação. Que o projeto é sério, enfim. Caso contrário, preparem-se para as reações!
Além disso, será preciso também capacitar os alunos. Sim, capacitar os alunos. É uma lenda (que inclusive explica o medo de muitos professores de que a tecnologia venha tomar os seus lugares) a crença de que os alunos já sabem usar as ferramentas tecnológicas com que tanto brincam… para trabalhar e estudar. Eles não sabem. Eles usam o Orkut, MSN, algumas ferramentas de edição, dentre outras, para se comunicar e para lazer, mas não sabem por isso automaticamente usá-las em seu favor, no processo de aprendizagem. Temos, como escolas e como professores, a missão de educá-los nesse uso. Eu já desenvolvi diversos manuais, impressos e multimídia, de orientação para o auto-estudo. Um projeto de EaD, do ponto de vista dos alunos, deve começar com o treinamento do aluno para se tornar um aluno à distância. Da mesma maneira que um bom professor presencial não sabe, automaticamente, atuar commo professor à distância, um aluno não sabe, automaticamente, como estudar à distância. Sabemos, por estatísticas, que a EaD gera melhores resultados em função do grau de maturidade dos alunos, então no caso da educação básica, é preciso preparar o aluno para estudar a distância.
Associado a esses dois primeiros riscos vem o terceiro - a utilização de “tutores” no lugar dos professores. Tutores que, em primeiro lugar, ganham menos que os professores - o que o próprio governo federal tem incentivado, com a remuneração aos tutores na Universidade Aberta do Brasil sensivelmente inferior à remuneração dos professores - e ao que pouca gente e poucas instituições têm reagido. Esta é uma questão de Estado, de recursos humanos, profissional, legal, que deveria gerar uma reação em cadeia em todo o país - professores à distância têm que ser professores, devem ter a mesma remuneração de professores, e não podemos aceitar que o próprio governo delibere no sentido contrário. As reações por enquanto são localizadas, nas instituições sérias. Na PUC-RS, a palavra tutor é proibida. Leiam sobre a reformulação do Departamento de EaD na Unisinos, cuja “continuação” pode ser acompanhada em um depoimento que a Paula Caleffi e a Susane Garrido deram no meu ABC da EaD, que também encara o professor de EaD como um professor.
Mas o problema não é apenas o risco da utilização de tutores com menor remuneração que os professores. Mesmo que resistam os professores em EaD, eles podem ser massacrados com um número excessivo de alunos a distância e com uma quantidade enorme de horas necessárias para realizar um bom trabalho. Ou seja - eles continuam ganhando o mesmo, a mesma hora-aula, mas passam a ter que trabalhar muito mais. É um outro artifício do capitalismo selvagem aplicado à EaD. Este foi um dos outros impulsos para este blog, principalmente assistir à passividade dos próprios professores do ensino superior em situações como esta, porque em geral a preocupação é com a manutenção do emprego, ainda mais agora, num momento de crise financeira mundial profunda. Numero de Alunos por turma em EaD e remuneração do professor on-line reagiu, lá atrás, ao problema.
Mas mesmo com a manutenção dos professores, e com a formulação de uma política de remuneração decente para o que passa a ser exigido dele em EaD, é preciso treinamento, muito treinamento. Os professores, em geral imigrantes digitais, precisam ser capacitados para trabalhar com educação a distância. A capacitação precisa ser massiva num primeiro momento, mas depois contínua, ou seja, não pode ser abandonada. Como precisa ser a introdução dos professores a diversas ferramentas e tecnologias. Não é mais possível continuar repetindo a retórica de que a educação vem em primeiro lugar, e a tecnologia é apenas mais uma ferramenta. Essa discussão já rendeu um interessante (e desta vez recente) post neste blog. Mas independente dessa polêmica, é praticamente unânime na literatura (e nos casos de sucesso na prática) que a EaD exige programas de capacitação intensos. Eu estou ministrando o módulo Tecnologias aplicadas à Educação, no colégio Progresso em Campinas, o primeiro de quatro em um curso de pós-graduação oferecido aos professores do colégio, e a experiência está sendo maravilhosa.
Por fim, toda essa capacitação, e todo o projeto de EaD das escolas, tem que estar voltado para a formação de aututores, não de impostutores. A Deliberação do Conselho Estadual de Educação pode ser vista como uma oportunidade de um movimento contrário ao que aconteceu na maioria das instituições de ensino superior com o uso dos 20% em EaD: do impostutor ao aututor.
Para mim, isso parece muito claro: a questão principal dessa Deliberação, o risco principal, a variável que fará com que ela se torne ou um marco de pioneirismo e visão na educação do nosso país - ou um passo a mais para o fracasso do nosso sistema educacional - é a questão dos professores. Deliberações como este deveriam vir acompanhadas de exigências para que todas essas atividades fossem desenvolvidas por professores, com formação e remuneração similar à dos professores que já atuam na educação básica, e com número de alunos e quantidade de atividades compatíveis com a sua remuneração, e que as escolas tivessem a obrigação de oferecer cursos de capacitação, continuamente, para a atuação desses professores em EaD como aututores.
21 de Novembro de 2008 @ 20:44
Infelizmente este é mais um exemplo de como tudo aqui no Brasil tende a começar errado.
Experiências do exterior são importadas e aplicadas sem as reflexões e as adaptações necessárias.
Exemplos como o do projeto UCA (um computador por aluno) temos aos montes que confirmam o atropelo de nossos governantes em implantar de qualquer jeito modernidades com fins eleitoreiros e estatísticos.
Não vejo problema em 20% do ensino médio ser a distância para nossos filhos, que sempre tiveram acesso a uma educação, tanto em casa como na escola, que os têm formado como cidadãos, ao menos razoavelmente, críticos e reflexivos. Mas nossos filhos são uma parcela mínima da população jovem brasileira. A maioria chega ao ensino médio semi-analfabeta e sem conseguir resolver problemas que envolvam as quatro operações matemáticas.
Adotarmos métodos educacionais de países como a Finlândia, cuja realidade é tão diferente da nossa que parece que se tratam de países de dois planetas distintos, é covardia. Nossas melhores escolas particulares nem passam perto das escolas públicas finlandesas. Comparar com nossas escolas públicas então, é tarefa absurda.
Será que um ensino que já é ruim presencialmente terá qualidade a distância?
22 de Novembro de 2008 @ 11:45
Wanderlucy, eu realmente não acho que isso começou errado. Não sei se em outros lugares do mundo há essa liberdade para 20% da carga horária à distância na educação básica. Nos Estados Unidos, que eu acompanho mais de perto, por exemplo, os modelos são outros: home schooling para a educação infantil (que no Brasil, por exemplo, é proibido) e online distance learning (100% distance learning) para high school, o que no Brasil também é proibido. Não sei então o que estaríamos copiando de fora. O projeto um computador por aluno é de hardware e não tenho acompanhado muito de perto, mas os objetivos desta Deliberação do CEE-SP parecem ser muito diferentes.
Não entendi muito bem a comparação com a Finlândia e nem acho que são esses os objetivos da Deliberação. A Deliberação apenas “permite” que escolas do Estado de São Paulo usem 20% da carga horária com atividades à distância. Acho que todos concordamos que há um problema sério na educação fundamental no nosso país, e talvez em todos os níveis, mas a Deliberação não se propõe a resolver isso. Ela se propõe, sim, a introduzir os usos de tecnologias, ferramentas e EaD no educação básica no nosso Estado, o que para mim é um objetivo bastante interessante e válido. Desde que, como eu disse, sejam respeitados alguns princípios, como a manutenção dos professores no processo etc.
22 de Novembro de 2008 @ 13:11
Olá João, como vai?
Gostaria de começar comentando esse trecho:
“Além disso, será preciso também capacitar os alunos. Sim, capacitar os alunos. É uma lenda (que inclusive explica o medo de muitos professores de que a tecnologia venha tomar os seus lugares) a crença de que os alunos já sabem usar as ferramentas tecnológicas com que tanto brincam… para trabalhar e estudar…”
1. Esse medo existe sim,mas existe também na sala de aula. A competividade pelo espaço é algo que o professor precisa lidar e começa com sua auto-estima e seu desejo de expressar sua sedução enquanto professor/facilitador/e aprendiz-porque não? de um processo que é no mínimo maravilhoso..Estar na boléia do caminhão e ir onde o povo está…
E hoje em dia,mais do que nunca, esse aprendiz está instalado na tecnologia num processo dinâmico e interessante que ao mesmo tempo nos desinstala ,enquanto professores a todo momento. Eu gosto disso mas já fiquei encomodada,já precisei sair de meu espaço e buscar outros e gostei e muito!!!
Sou professora de inglês,moro em Campinas-SP, e tenho um aluno de Belo Horizonte, um tearapeut junguiano,para que dou aulas,pelo skype . Não perdi a interação com ele,olho nos olhos dele- basta aproximar a cam-e até ouvimos as risadas um do outro…uso ferramentas e vou enviando arquivos enquanto falamos,adiciono exercicícios e até ensino pronúncia….
O custo benefício é baixo,estou na minha casa,uso outra ferramentas de minha biblioteca,imagens,etc…gosto bastante e os resultados são excelentes.
Já tive duas outras alunas de odontologia da SLMandic,trabalhamos textos pelo skype e discutimo seus abstracts. E foi ótimo,
Incluo aulas presenciais nesse programa quando vou a BH,saio com Fernando pra tomar cerveja e conversar em inglês…aí acho que precisa da presença…risos…e com minhas alunas também foi assim.
Já trabalhei 11 anos na escola pública e como teria sido diferente se eles tivessem mais acesso a tecnologia…but the dream is not over…on the contrary..it is revolving….
Lembra dos Jetsons??? or the Beam me up, Scotty??? Essa educação a distãncia traz muitos mais recursos do que we could ever,ever dream….
A questão dos tutores é importante!!! Sou coordenadora de uma equipe e essa equiparação dos valores em tudo,absolutamente tudo,precisa ser respeitada. Tem pra todo mundo, basta acreditar,ser você mesmo,arregaçar as mangas e simplesmente ir…
Every journey starts with the very first step…Time to move on!!!
Congrats on this article!!!
Um abração,
Helô
25 de Novembro de 2008 @ 10:07
Bom dia mestre!
Mais um excelente ponto de vista, ou devo dizer dissertação, sobre a problemática da EaD no Brasil.
No presencial, quem é o responsavel pela condução do aprendizado? O professor. Se temos alunos deficientes cognitivos,notas lastimaveis ( e alguns oportunistas ainda se vangloriam das médias em seus estados e cidades hahahahaha) em provões nacionais, é porque este profissional esta falhando. E se ele esta falhando, uma das causas é a total falta de condições (cognitivas, politicas, estruturais, salariais e de formação) de conduzir este aprendizado.
Então temos estes ignorantes de plantão que criticam a EaD, ou as politicas de EaD como se fosse possível piorar o “impiorável”.
O foco, em minha opinião, tem que ser na formação docente, e isto é coisa para longo prazo. Em 2004 a prof. Vani Kinski em palestra na Cidade do conhecimento mostrava-se preocupada com o pouco foco em tecnologias dos cursos de formação docente. Esta situação não mudou muito desde então. Então vamos continar a discussão!
[]s
27 de Novembro de 2008 @ 10:30
Oi Gente,
comentário sobre comentário rsrsrs
” ‘a crença de que os alunos já sabem usar as ferramentas tecnológicas com que tanto brincam… para trabalhar e estudar…’”
Heloisa, isso é um preconceito típico de Imigrante Digital. Essa conversa já rendeu uma boa discussão no grupo que eu e a Wander fazemos parte.
Não é atoa o título do livro do Marc Prensky “DON’T BOTHER ME, MOM - I’M LEARNING”
Para a visão de uma adulto pode parecer perda de tempo uma criança no Orkut ou Club do Pinguim, mas não é. Como comentei com a Wander, tenho uma filha de 12 anos e fico feliz por vê-la tão envolvida nessa cultura participatória. Quando ela se articula com outros avatares para criar um filme no nesse mundo virtual ou para ensaiar com uma banda de pinguins isso não é somente uma brincadeira, embora ela e outros percebam assim. O que ela está desenvolvendo na verdade são competências essenciais para um adulto na Cultura Digital: liderança distribuída, o trabalha colaborativo e cooperativo, afetividade etc .
O vídeo oom ela e seus amigos pinguins http://www.youtube.com/watch?v=BhkDt66wHXc
Isso é a mais límpida expressão da cultura participatória. Cabe os professores utilizarem esse potencial de criatividade e expressão a favor da educação, pois isso é o que o Henry Jenkins chama de nem media literacy, o que significa acima de tudo emanicipação na era digital.
Abraços
27 de Novembro de 2008 @ 15:45
Eri, vocês devem ter tido uma discussão profunda sobre o tema e talvez até a gente discorde, mas não tenho ainda certeza disso. O livro do Prensky é muito interessante e concordo que o uso das ferramentas pelos nativos digitais desenvolva competências essenciais para um adulto na cultura digital. Mas a minha experiência com alunos (mesmo os nativos digitais) tem me ensinado que, apesar de eles poderem desenvolver competências importantes para suas vidas profissionais futuras com o uso das ferramentas, em geral a maioria deles não sabe utilizar essas ferramentas para o estudo que se propõe nas universidades, ou mesmo para gerenciar ou mesmo produzir adequadamente informações que sirvam para suas vidas pessoais e profissionais. Meus alunos de games não sabem usar o Word para a produção de um texto acadêmico; os alunos não sabem como introduzir referências do Orkut em seus trabalhos acadêmicos; eles não sabem usar ferramentas como agendas ou mashups para ajudar a organizar seus estudos; eles não sabem usar RSSs para organizar as informações que podem ser interessantes lerem etc. Ou seja, uma teoria que tenho desenvolvido ultimamente é que quando um professor imigrande digital começa a desvendar a cultura digital, e é bem orientado, ele traz consigo uma série de habilidades e competências que podem ser rapidamente aplicadas a esse novo universo, ou seja, a coisa não começa tanto do zero, como muitos defendem. Se os professores são então educados a como utilizar essas ferramentas em seu favor, como educadores, eles passam a ter a capacidade de ensinar as vantagens do uso dessas ferramentas para os alunos, em seus estudos. Então a questão não se resume à colaboração ou à idéia de que os nativos digitais sabem tudo e então têm que ensinar seus professores. Tenho percebido que é nossa missão (e os alunos simplesmente adoram isso) mostrar para nossos alunos, nativos ou imigrantes digitais (e aqui a diferença não é tão importante), que essa quantidade imensa de ferramentas disponíveis na Web pode ser utilizada no estudo, na vida pessoal e profissional - realmente, isso não é claro para os alunos, e acaba sendo uma descoberta muitíssimo interessante para eles, quando eles percebem que podem fazer vídeos, mexer com imagens, editar áudio, usar comunidades, usar o word etc. etc. em seu benefício, para o aprendizado. É, aliás, um pouco o que tenho tentado fazer neste blog.
29 de Janeiro de 2009 @ 10:08
[…] f) A longa reflexão sobre a DELIBERAÇÃO CEE Nº 77/08; […]
23 de Maio de 2009 @ 22:08
Enriquecendo os comentários anteriores e o que diz o texto no sentido de capacitar os professores, e em consequencia tbm os alunos, vou mais além… sou tutora em Manaus, e trabalho com EaD com alunos do ensino fundamental e médio, e vejo o quanto as crianças ficam “perdidas” na hora de estudar, pois uma coisa é elas sentarem na frente do computador e irem para o msn ou orkut, e outra coisa, é quando elas estão no ambiente virtual estdando, e é aqui que entro com a minha colocação sobre capacitação… é necessário tbm, capacitar a família pra essa nova realidade, afinal uma criança facilmente dribla os pais qdo dizem que já fizeram a atividade de casa, e os pais confiam, sem averiguar os cadernos e livros, imagine na EaD, eles abrem diversas janlas, e assim tbm driblam os pais, que muitas vezes são designados como “analfabetos digitais”.
Para que a educação a disância seja realmente efetiva, seja ela parcial ou não, a capacitação deve atingir toda a sociedade, todos nós devemos estar aptos para lidar como essa nova modalidade de ensino.
24 de Maio de 2009 @ 12:33
Muito bem, professor. Concordo em tudo com suas palavras. Sinto isso na pele como tutor. Somos vistos como sub-classe de professores. Os aglomerados de pólos de EAD se multiplicam visando ganhos de capitais, rápidos e a custos do aluno e do tutor! Vamos mudar essa realidade! Vi que um juiz regional de MG deu ganho de causa para uma tutora sem carteira assinada, e disse que ela deve ser enquadrada profissionalmente como professor, pois tutor é professor. Veja mais na comunidade do orkut que fala sobre tutores da UNOPAR.