Caros, o João pediu para que eu escrevesse algo breve para instigar a discussão dos participantes deste blog. Aqui estou eu e irei escrever sobre a temática que investigo desde o início dos anos 90 – a questão da violência – mais especificamente aqui irei polemizar quanto à atuação da Polícia no Rio de Janeiro – ponto alto que vem monopolizando os meios de comunicação no Brasil. Para iniciar a discussão lembro aqui as colocações proféticas de um ex-delegado da Polícia Civil do Rio de Janeiro, que dizia que a Polícia no Brasil era extremamente eficiente pois mantinha a população do morro em seu devido lugar, isto é, a Polícia fazia um controle social adequado, uma vez que a burguesia podia circular tranquilamente na Zona Sul sem temer o avanço dos “pobres” em seu território. O Delegado está certo? Está sim, pois no Brasil além da Polícia voraz, existem outros meios de controle social que apaziguam a população que as classes altas temem, são eles: os meios de comunicação, o medo de autoridades, a mentalidade e a própria resignação dessa população, temerosa de seu próprio destino. E, na atualidade presenciamos o atual Comandante da Polícia Militar no Rio de Janeiro proferir a quem queira ouvir que a Polícia é um “inseticida social”, fazendo uma analogia à condição de insetos a que a população pobre se equipararia. E, mais impressionante ainda são as colocações do atual secretário de Estado da Segurança Pública do Rio de Janeiro, defendendo policiais que erram em ações de perseguição e terminam por matar pessoas inocentes. Ou mesmo se culpadas fossem, teriam que ser julgadas antes, pois aqui não se trata de “fazer justiça com as próprias mãos”, já que nem da Justiça se servem os algozes, nem à Justiça as vítimas podem recorrer e nem da Justiça os delinqüentes são submetidos. A Justiça passa despercebida.
Fica aqui um registro para a reflexão.
E tenho dito: Um ato de injustiça faz desmoronar todo o arcabouço de crenças na legalidade de um país.
Regina Célia Pedroso
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Concordo que o quadro atual é muito ruim. Mas o estado pode ser processado pelos crimes cometidos por seus agentes, inclusive ressarcindo as vítimas. Os próprios agentes deverão responder a processos no judiciário, que é indepentende dos chefes desses criminosos fardados no executivo. E em última instância torço para que algum MP chame esses chefes à prestar contas pelos atos que incentivam seus agentes a cometer.
Em suma, justiça é possível. Só torço para que ela aconteça.