Se é tão rápido e fácil calar uma grande universidade, abafando, boicontando e mesmo cortando seus canais de comunicação não hierárquicos e debates (como fóruns presenciais, fóruns virtuais, revista etc.), deixando de lado ou despedindo aqueles professores que questionam alguma coisa, se é tão fácil amedrontar e calar professores que, supostamente, deveriam ter senso crítico e questionar pelo menos a realidade em que estão diretamente envolvidos, se é tão simples imobilizar um grupo grande de professores, imagine o que é possível fazer com um país com um alto índice de analfabetismo, composto de muitas pessoas para quem nunca foi dada a oportunidade de criticar alguma coisa? Principalmente quando se tem o poder e o dinheiro na mão, quando se pode facilmente comprar pessoas-chaves e mandar matar quem não interessa mais?
Por isso, temos sempre que reagir a qualquer indício de autoritarismo, de calar o judiciário, de calar a imprensa, mesmo que pequemos pelo excesso. Toda organização de resistência, nesta direção, é um exercício pleno de cidadania.
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Donde se conclui que boa parte dos professores, após tanta privação, tornou-se massa falida, analfabeta funcional, correndo atrás de migalhas para pagar gas, luz e telefone, que perdeu a oportunidade de gritar na hora certa, e agora não tem mais voz na garganta. Não vejo mais diferença entre a classe de professores desempregados e, por exemplo, um lupen da construção civil sem mão de obra qualificada.
Só para lembrar
No caminho com Maiakovski
(Eduardo Alves da Costa)
Na primeira noite, eles se aproximam
e roubam uma flor
de nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.
O duro foi ouvir, um dia desses, a zeladora do prédio onde moro dizer: “É assim mesmo, a gente já está acostumada a ser desrespeitada”.
E, agora pergunto eu: do que adianta ter titulação. É como meu pai dizia anos atrás: “Fazer doutorado em burrice!!! Vai servir pra que? Faça outra coisa”.. Já que tem que estudar, estude para um cargo público”. Palavras sábias………Pra que estudar tanto…..??????
Seu pai sabe das coisas mesmo, Regina, e veja que a Presidência da República é um cargo público, que a experiência mostra que só precisa fazer impressão digital.
Em “Educação e Consciência Política” postei uma resposta ao Vinícius que no fundo está diretamente ligada ao tema desta discussão:
http://blog.joaomattar.com/2007/03/06/educacao-e-consciencia-politica/
Às vezes, quando alguém se pronuncia(ou denuncia) causa perplexidade em uns e admiração em outros. Mas, uma coisa é certa: essa pessoa nunca mais será esquecida por aqueles que gostariam de falar, mas não tiveram coragem.