Uma universidade é um banco?
Se não é, por que selecionar e recrutar executivos para administrá-la?
É a falácia (da falsa dicotomia) do executivo: no mundo existem, de um lado, executivos, que sabem gerir qualquer negócio, acertam sempre, estão preparados para administrar etc., mas se preservam e não sabem fazer mais nada de específico, e, de outro lado do mundo, existem aqueles que ralam, que fazem o trabalho, mas não sabem administrar nada, nem mesmo o negócio em que trabalham.
Falácia, porque, além de o mundo não ser preto e branco, existem profissionais de educação preparados para administrar negócios de educação. Existem profissionais de educação naturalmente ligados às áreas de administração, mas existem também aqueles que têm capacidade e/ou experiência administrativa, e são também educadores. Qual a vantagem, então, de contratar executivos (que nunca deram uma aula na vida) para administrar uma instituição que dá aulas? Se o executivo não entende nada do negócio, há mais chances de a instituição crescer e se tornar mais lucrativa?
Investir em um negócio de educação não significa investir em um banco: o foco de uma instituição de educação não é o lucro financeiro, isso é apenas sua condição de sobrevivência, como de qualquer negócio. Mas a competência principal de uma instituição de educação é educar, não lucrar. Se ela perder sua capacidade de educar, perderá naturalmente qualquer chance de lucro. Não há como inverter a ordem dos fatores.
Então, se um grupo de investidores investe em uma instutuição de ensino, precisa estar preparado para ganhar dinheiro (se for possível) com educação. Não com a exploração de professores, ludibriando seus alunos, esquecendo-se de educar. O planejamento estratégico não pode ser: ganhar dinheiro, se der fazendo educação, mas se não der para continuar fazendo educação, o importante é ganhar dinheiro. Então, que se invista em outro negócio, no mercado financeiro, na bolsa de valores.
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Este é o resultado deste capitalismo canibalista, ignorante e oligofrênico, e que não se dá conta que é autofágico. É urobórico – a serpente que se come pela cauda – para fechar um ciclo, e como vc diz, João, partir para uma outra aventura de mercado. Professores e alunos não são quaisquer produtos perecíveis. Não estamos à venda no balcão do mercado ou na mesa do amável gerente da agência bancária. Se tivéssemos um Estado decente a Educação jamais poderia ser privada. A Educação e a Saúde não deveriam gerar lucros, sendo uma obrigação do Estado em alocar verbas prioritariamente para estes setores.
Caro João, sua crítica é contundente e certeira. Porém eu diria que os administradores vorazes que nada entendem de educação não estão interessados com ensino ou pesquisa. E, falando português claro, se a empresa (universidade) der lucro é o que interessa. Afinal, tem uma velha máxima dos administradores idiotas: é o custo benefício. Lucrando é o que basta. O resto é perfumaria.
JM,
Nada mais a acrescentar. A não ser a minha revolta com este escárnio. Como posso eu, pai de uma moça de 19 anos, afirmar que minha filha terá uma boa formação?? Triste.
Abraços
P.S.: voltei a escrever no meu blog. Dá um pulo lá!
Parece piada estarmos há mais de um ano participando de dois fóruns sobre Qualidade no Ensino Superior. Dos Métodos para avaliá-la. Das medidas tomadas pelo Ministério da Educação sobre o tema. Dos doze itens mínimos que devem ser observados para garantir uma razoável Qualidade de Ensino, e por aí vai.
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